THE POWER | NAOMI ALDERMAN


Terminei "The Power" da Naomi Alderman no dia das mulheres. Me deixou impactada, sem saber o que pensar, e acho que fiquei uns dez minutos olhando para o nada. Como qualquer livro que me faz analisar os meus preconceitos, eu tive que tomar um tempo e refletir sobre o que estava sentindo e pensando. 

Gênero é um jogo de conchas. O que é um homem? O que quer que uma mulher não seja. O que é uma mulher? O que quer que um homem não seja. Toque nele e é vázio. Olhe sob as conhas: não está lá.
Se pudesse descrever essa livro em uma frase seria: No final das contas, não é sobre gênero, é como o poder absoluto corrompe os humanos.

A história começa quando de repente algumas adolescentes são empoderadas por uma mutação genética que permite que elas produzem uma carga elétrica. Elas podem despertar esses mesmos poderes nas mulheres mais velhas. E aos poucos, o poder da sociedade é tirado dos homens e transferidos paras as mulheres. Mas antes que a sociedade muda completamente, seguimos as vidas de quatro pessoas diferentes. Um jovem jornalista Nigeriano, que decide documentar as protestas e revoluções das mulheres ao redor do mundo. Uma politica americana ambiciosa que luta com controlar o seu poder. A filha de um mafioso de Londres que descobre que ela tem uma eletrica poderosa e uma órfã que se inspira ser a voz da "deusa" na terra. Ela acredita que os poderes foram dados por um deusa, que quer que as mulheres assumem o poder na terra.

Somos testemunhos de momentos históricos conforme a história progrede. Na Saudi Arabia, as mulheres usam os poderes delas para começar uma revolução e exigir seus direitos. Elas atacam com energia elétrica e os homens atacam com bombas.


No Ocidente, a transição é calculada, as mulheres são incentivadas a controlar os seus poderes e usarem elas de forma positiva. Mas no meio de tudo isso, surge uma nova religião, começada pela Mãe Eve. Ela influencia as mulheres, pela sua capacidade de cura, e começa um movimento mundial. onde as mulheres usam seus poderes para receber justiça.

"O que fazemos não é o mesmo que eles nos fizeram por tantos anos" elas se justificam. As posições são revertidas, agora os homens sentem medo, já não sentem que podem sair sozinhos nas ruas, e se sentem fracos. Onde antes, o poder era usado para conseguir direitos iguais, agora é usado para colocar os homens em seu lugar.

Não sei quem que decidi que livros trazem pro Brasil, mas esse deve ser um deles. Teve vários momentos no livro, que me senti mal, e outros onde fiquei com raiva. Gostaríamos de pensar, que se as posições forem invertidas, nós, mulheres, mudaríamos o mundo. Mas esquecemos que a nossa condição humana é de errar. Você tem o poder de mudar, mas o poder absoluto te deixa querendo mais. De uma forma irônica e brilhante, a Alderman expõem isso.

E detalhe, a mentora dela é a Margaret Atwood.

Vocês vão sempre me ouvir falar isso, porque eu realmente acredito, temos que sempre achar o equilíbrio. Acho incrível o progresso que nós como mulheres temos tido nos últimos tempos. Vejo muitas mulheres empoderando outras mulheres. Temos que fazer isso! Temos que celebrar a feminidade! O mês passado celebramos os passos que temos tidos nos últimos tempos. E olhamos para mulheres em épocas onde elas não tinham os mesmos direitos que nós mas iniciaram uma mudança na sociedade. Tem muito chão pela frente.

Mas se aprendi algo com esse livro é que o perigo vem quando idealizamos o gênero. Um homem não é melhor que uma mulher. E a mulher não é melhor que um homem. Somos iguais.




27 anos. fotógrafa. cidadã do mundo. amante de viagens, café e bolo. Um pouco viciada com as séries! muitas vezes sou confundida com indiana.


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