CONVERSAS ENTRE AMIGOS - SALLY ROONEY


"Conversas entre amigos"... só de pensar nesse título surge tanta coisa na minha mente. Tantas conversas e momentos importantes, e outros nada importantes, que tive com meus amigos ao longo da minha vida surgem como um álbum de fotografia na minha mente. Ah, olha lá com foi incrível aquele dia! Nossa, como eu odiava essa pessoa e depois acabei amando. Nunca mais falei com essa aqui. Putz, que erro que eu cometi com a fulana! Nossa, não deveria ter ficado com o ciclano, foi desnecessário. 

Ah, os momentos que se foram! Coisas que jamais iremos recuperar e viver novamente, coisas que só nos restam na memória. 

Tudo isso é culpa desse livro que já começa a despertar memórias apenas com título, seu conteúdo complementa toda essa atmosfera de relações, passado, presente e futuro, quem sou eu, o que fiz de certo, o que fiz de errado, e se? ... Temos nessa história duas grandes amigas, que já viveram um romance no passado e hoje são apenas best friends, que conhecem um casal perfeitamente estranhos e começam uma esquisita e confusa amizade. Não quero dar spoiler mais a amizade não é o único tipo de relação que acontece entre esses 4 aí. 

Esse livro me ganhou com a narradora, e também persongem principal, Frances, uma estudante de vinte de poucos anos que está mais perdida na vida do que eu! RSRSRS. Ela escreve poesias e se apresenta em livrarias e locais públicos com a sua amiga de sempre, a Bobbi. Essas duas personagens são carregam uma complexidade interessante que te faz amá-las e odiá-las ao mesmo tempo. Eu vi isso como um ponto positivo para a construção da história e da minha experiência de leitura: as personagens eram tão bem construídas e tão palpáveis que eu gostava delas e detestava elas ao mesmo tempo. Isso é muito significativo e real, do tipo real life stuff, sabe? 

Você vai acompanhando a história e vai percebendo sua complexidade, vai se entregando aos personagens e suas implicações, eu comecei a viver com eles, comecei a falar alto com eles enquanto lia como se fossem pessoas que estavam ali comigo. Me identifiquei com a problemática da Frances muito mais do que eu gostaria e ok, já aceitei que eu posso ser uma pessoinha pra lá de problemática. Afinal, todos temos coisas boas e ruins por dentro, não é?! 


Essa leitura me fez relembrar minhas ações do passado, trouxe-me memórias boas e ruins, me jogou na cara os erros que cometi e me fez repensar em algumas atitudes que tive nos últimos tempos. Fiquei muito feliz de ter lido e adorei que ele me provocou tantos pensamentos e sentimentos (e lembranças dolorosas). Quero a literatura para isso mesmo, para me fazer olhar para dentro, para me fazer relembrar coisas boas e ruins, para me fazer sentir. 



Rita Zerbinatti, 26 anos, professora, apaixonada por Ficção Científica, dias chuvosos, séries de TV e café. Quer saber mais?Clique 
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