REFLEXÕES: CEM ANOS DE SOLIDÃO E GHANA MUST GO

Confesso que minhas expectativas estavam muito altas quando fui ler "Cem Anos de Solidão" do Gabriel Garcia Márquez. Já havia tentado ler no passado, mas eu sempre queria ler ele em espanhol. Quando decidi participar do desafio de Cheirando Livros, me decidi, e quis mergulhar nesse mundo. Foi uma leitura muito dificil. Uma amiga me recomendou procurar a árvore genealógica dos Buendias, para não me confundir tanto. Funcionou, mas havia momentos, onde eu me encontrava no meio dessa familia, e pensava, "que loucura!" Haviam muitas atitudes dos personagens que eu não entendia. Eles escolhiam a solidão. Em algum momento, todos decidiram que abraçariam a solidão, e eu procurava entender porque. O pior de tudo, para mim, é que eles não comunicavam entre si. Criavam seus mundos internos, e assim vivíam.




Apesar de ter visto, que na família dos Buendias, eles escolhiam e desejavam solidão. Ainda podemos ver que ainda desejam o amor. Mas eles tinham dificuldade em comunicar esse desejo e até de aceitar amor. Eu fiquei muito perplexa com todos. Claramente, dava para perceber o desejo de formar laços e ter amor, mas eles rejeitavam qualquer pessoa que tratava de se aproximar.

Depois que terminei a leitura, eu comecei a contemplar o ciclo vicioso da família Buendia. Como foi inevitável que voltariam ao começo. E aquelas estranhas borboletas amarelas continuavam a aparecer na minha mente.



Deixei os meus pensamentos se ajeitarem, e logo comecei a ler o livro, "Ghana Must Go," da Taiye Selasi (não encontrei o titulo em português. Mas a tradução seria "Ghana Tem Que Ir") E sem querer, comecei a acompanhar a história de outra família. Um casal nigeriano e ghaniano Kweku Sai e Folsadé Sai, imigram para os Estados Unidos, num período de tumulto nos seus países, e tem quatro filhos. Depois de perder o seu emprego como cirurgião, Kweku abandona os filhos e volta para Ghana. Folsadé, se encontra sozinha, e é forçada a fazer decisões difíceis para sua família.


Escrito de uma forma muito bela, me envolvi nessa historia, sem querer, comecei a comparar essas duas famílias. Nessa família africana, o abandono do pai, afetou muito as relações dos filhos. Eles se distanciam, e procuram amor e aceitação com outras pessoas. Mas com a morte do pai, eles são forçados a olhar para o passado, e entender o que faltavam nas suas vidas. E depois de anos separados, se reunem, e sentem de novo aquela conexão inexplicável. Finalmente, eles comunicam e colocam para fora as inseguranças, o abandono e o desejo de ser uma família.

No geral, comunicação é muito difícil em família. Apesar de ser parte de um grupo de pessoas, que vivenciam a vida juntos. Cada um tem a sua própria visão e opinião sobre o mundo. Acho que isso é quando gera conflito. Os pais querem que os filhos tenham a mesma visão que eles e vice versa. Mas cada pessoa é diferente e geram suas próprias opiniões sobre a vida. Mas por alguma razão, se espera que todos pensam iguais.


Não sei se consegui expressar os meus pensamentos sobre esses dois livros. Mas não pude evitar de fazer associações. São famílias de duas partes diferentes do mundo, mas tinham uma coisa em comum. Cada pessoa na família optavam pela solidão, pelo simples fato que é mais fácil, em vez de compartilhar o que estava acontecendo. Filhos que sentiam abandonados pelos pais, preferiam provar o seu valor, em vez de se aproximar, e dizer o que sentiam. Mulheres que desejavam ser amadas pela mãe, preferiram criar uma segunda pele e fingir que não precisavam delas. Pessoas que desejavam amor, preferiram rejeitar-las porque tinham medo. Os pecados dos pais passavam por filhos. E o ciclo vicioso continuava.

Conclui, que herdamos os comportamentos e erros das nossas famílias. Mas por isso, temos que ser abertos, e em vez de repetir esses comportamentos, devemos aprender delas. E acho que é valido não só nas nossas famílias, mas também no geral.

 Carregamos sentimentos que podem ser resolvidos com uma simples conversa. O medo sempre estará do lado, porque é assustador se expôr. Mas é só assim que paramos esse ciclo vicioso das nossas famílias. Se conseguimos aprender dos erros, e conversar mas abertamente, evoluímos. E começamos um ciclo melhor.


27 anos. fotógrafa. cidadã do mundo. amante de viagens, café e bolo. Um pouco viciada com as séries! muitas vezes sou confundida com indiana.


Me acompanhe por aí: 





0 comments