MEU AMIGO DAHMER - DERF BECKDERF


Você já se sentiu diferente ou excluído? Já tratou alguém dessa forma? 

Essas são perguntas que nos fazem sentir um peso imediatamente. Quando eu era criança ou adolescente me lembro de ter me sentindo diferente e excluída em várias situações. Também me lembro de ter tratado algumas pessoas muito mal. Acredito que todos temos algum histórico a ser revisitado quando surgem essas perguntas, no entanto, imagina você ter estudado com alguém que anos depois se transformou em um serial killer? Tenso, hein. 

Aconteceu isso com o autor de "Meu Amigo Dahmer", o Derf Beckderf, que soube aleatoriamente que seu colega de classe havia se tornado um serial killer. E aqui já surge uma questão: a pessoa se torna um serial killer ou isso é mais intrínseco? Já já falamos um pouco mais sobre isso. Outra questão que não posso deixar de comentar é que o Derf não era amigo do Jeff Dahmer, nem de longe, ele fazia parte de um grupinho de garotos ridículos que ou ignorava ou aloprava o Dahmer. Toda escola tem um grupinho de garotos assim, que adoram ficar tirando sarro e causando com alguém que é diferente. Sempre um absurdo. 

Em "Meu Amigo Dahmer" temos em mãos uma História em Quadrinho que nos mostra um pouco da adolescência de Jeff Dahmer, um serial killer americano que assassinou 17 pessoas. O autor reuniu relatos de pessoas que conheceram ele na adolescência e juntou com sua própria convivência com o Dahmer, sendo assim, podemos dizer que essa HQ nos conta a história do ponto de vista do Derf Beckderf. E como disse ali em cima, o Derf não era amigo de Jeff Dahmer, ele era apenas mais um dos caras que tiravam um sarro dele ou simplesmente o ignoravam. 

UM PESO NA CONSCIÊNCIA


Ao meu ver essa HQ mostra que o autor sentiu um peso enorme depois de descobrir o que o Dahmer havia feito, e não posso julgá-lo, acredito que eu também iria me sentir muito mal com algo assim. Já é ruim o bastante descobrir que o colega de classe era um serial killer que matava suas vítimas de forma absurdamente cruel e fazia coisas ainda mais cruéis e horríveis com os corpos. Agora imagina como ele se sentiu quando parou para pensar na forma como trataram o Dahmer na escola... não é pra menos essa consciência pesada aí.

E com isso podemos pensar e discutir muitas coisas. Uma delas é: podemos prejudicar a vida de alguém quando a tratamos mal? Isso nem deveria ter saído em forma de pergunta, pois é óbvio que sim. Sabe aquela velha canção dos Beatles "All you need is love"? Eu acredito muito nisso, portanto, creio que quanto mais tratamos as pessoas de forma boa e gentil, melhor. No fundo, no fundo tudo que precisamos é de um pouquinho de amor. Coisa que o Dahmer não tinha.

Não quero defender assassino nenhum, mas temos que pensar. Sabe, pensar é bom de vez em quando. Vamos imaginar que o Dahmer tivesse sido tratado de uma forma diferente por sua família e por seus colegas. Será que ainda assim ele iria cometer os crimes? Talvez sim. Talvez não. Pode ser que mesmo se ele tivesse recebido todo amor do mundo, ainda assim, acabaria como um serial killer, mas é interessante a HQ trazer esse tipo de questionamento porque me fez pensar de uma forma diferente, me fez botar a mão na consciência, me fez pensar mais antes de agir e antes de falar algo que o outro pode não gostar. 

Outro ponto interessante e que me chamou muita atenção foi o momento em que o autor comentou que eles eram apenas um bando de adolescentes, logo em seguida questionou: "onde estavam os adultos?" Isso me impactou profundamente. Não eram apenas os adolescentes que tratavam o Dahmer de forma cruel, os adultos também, especialmente porque o ignoravam completamente. A verdade era que ninguém ligava pro Jeff Dahmer, ele era um esquisitão, um zero à esquerda. Ninguém queria ficar perto dele. E isso, mesmo sabendo quem era o Jeff Dahmer, é de apertar o coração. 

A ARTE


Além dos questionamentos que a HQ te proporciona também tem um outro ponto que não pode passar batido: a arte. O traço do autor é incrível e ao mesmo tempo, medonho. Em vários momentos eu me vi totalmente hipnotizada e perturbada com as cenas, foi uma leitura muito intensa e bastante incômoda, desconcertante e impactante. Tenho certeza que a arte colaborou para causar todos esses sentimentos. Foi essencial essa história ter sido desenvolvida em uma História em Quadrinho, o formato foi absolutamente perfeito. Simplesmente adorei me envolver e me entregar para essa obra esquisita e perturbadora.

Para finalizar, Meu Amigo Dahmer é uma leitura imperdível para aqueles que adoram uma história de Serial Killer. E lembrando que essa história vai ganhar uma adaptação cinematográfica, clique aqui para assistir ao trailer. 






Rita Zerbinatti, 26 anos, professora, apaixonada por Ficção Científica, dias chuvosos, séries de TV e café. Quer saber mais?Clique aqui.






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