DAVID COPPERFIELD - CHARLES DICKENS



Não sou especialista em Literatura e nem quero ser, essa é a verdade. Estou aqui como leitora, como uma pessoa que ama renascer todo dia nas páginas de um livro. Uma pessoa que ao acordar pensa no cheiro das páginas e do café fresquinho. Sim, eu faço isso mesmo. Faz parte da minha rotina matinal. Experimente. 

Sendo assim, quero apenas tentar organizar meus pensamentos e expressar minha impressões sobre essa obra incrível. Ler David Copperfield foi um desafio surpreendentemente delicioso, não esperava que fosse encontrar nessas páginas uma história tão envolvente e leve. Apesar de ter muitos momentos fortes, essa história é basicamente um sentimento quentinho no fundo do coração

O COMEÇO


Ao começar a leitura me deparei com uma informação valiosa. Dickens admitiu que esse livro é sua obra favorita, disse que por mais que os pais falem que amam seus filhos da mesma maneira, no fundo sempre tem um que é o favorito. Não sei ao certo explicar o porquê, mas saber dessa informação antes de adentrar na história me deu um ânimo incrível. 

Assim que me deparei com os primeiros capítulos percebi que tinha algo grandioso em mãos. E ah, como sorri e como sofri com o jovem Davy. A parte da infância dele foi a minha favorita, portanto, o começo do livro foi extremamente marcante e inesquecível. Eu realmente me apeguei muito aos personagens. Vou tentar não dar spoiler (quem quiser, vamos conversar sobre detalhes do enredo nos comentários), mas o jovem Davy sofre um bucado e meu coração sofria junto com ele. Nesse ponto, eu estava completamente envolvida e arrebatada pela história desse personagem e nem estava dando conta disso. 

Eu sei que David Copperfield é uma obra com elementos autobiográficos, mas a verdade é que eu não sei nada sobre o autor e muitas vezes me perguntava: será o que Dickens passou por algo assim? Se passou ou não, não sei (fiquei com muita vontade de ler uma biografia desse cara, confesso) sei apenas que fiquei encantadíssima com a forma que desenvolveu esse personagem - e todos os outros - ao longo da história. 

O MEIO


Sendo um romance de formação, acompanhamos o David Copperfield nos contar toda sua história, desde o momento em que nasceu até chegar em uma idade bem madura. No meio do livro nos encontramos com o Davy já adulto, meio perdido e loucamente apaixonado (não consegui gostar da Dora). E foi nessa parte que, confesso, me desconectei um pouco da história, as sequências de acontecimentos de sua vida adulta já não foram tão marcantes para mim. Me distanciei, mas mesmo de longe eu observava cada movimento do Davy, muitas vezes julgando e querendo sacudir ele com força.

Nesse momento eu tinha a impressão de que estava acompanhando uma novela. Sentimentos, intrigas, altos e baixos, reviravoltas. No entanto, fui percebendo aos poucos que cada personagem ia assumindo uma forma ainda mais consistente e pareciam representar algo muito maior do que eles mesmos. Aliás, esse livro inteiro me trouxe essa sensação de que não é apenas uma história assim tão simples. Observamos, ou melhor, presenciamos O Ciclo. Sabe todo aquele lance da vida, do universo e tudo mais? Senti que era algo assim. Algo maior, algo profundo.

Dentro da narrativa de cada personagem, observamos esse ciclo começar, avançar e se concluir. E essa conclusão não significa morte. Esses ciclos são pedaços da nossa existência, eles estão presentes em todos os momentos da nossa vida e da vida desses personagens também. São finais e recomeços. Esse livro representa A Vida

(Vocês estão sentindo o impacto com as letras maiúsculas? Espero que sim, porque eu estou!)

O FIM


Confesso que estava cansada... um pouco. Foram quase 8 semanas com esse livrinho por perto, no entanto, ao mesmo tempo que sentia um cansaço também sentia uma pontada de saudade no fundo do peito. Saber que não mais falaria com Davy, saber que não mais iria ver a postura rígida da Tia Betsey. Saber que não mais acompanharia Agnes. Tudo isso, no fundo, doía um pouco. Mas temos que superar, afinal, nada na vida dura pra sempre

E essa frase clichê e cansativa foi a mais linda mensagem que vi diante de mim ao chegar no final desse livro. Ao ler a última linha, a última palavra, percebi então que não mais sofreria ao pensar no fim. Seja do que for. Como disse ali em cima, de forma definitivamente não muito clara e desordenada (prazer, Rita) a vida é um ciclo. A vida é uma série de finais. Tudo termina, tudo chega em seu derradeiro fim. 

Falando assim não sei se me sinto madura ou amedrontada, mas a verdade é essa e acredito que é normal ter um pouco de medo da verdade. Ter medo do fim. Engraçado, eu estava ansiosa para chegar no final do livro, quando estava realmente chegando no final comecei a sentir que não queria chegar no final. Depois que cheguei lá entendi que é um ponto necessário e crucial. Afinal, de uma forma ou de outra, tudo que chega ao fim encontra um recomeço. 

Essa história sempre terá esse ar de esperança e de recomeço, será sempre um lugar para onde eu posso fugir, me aquietar e me renovar. 



Rita Zerbinatti, 26 anos, professora, apaixonada por Ficção Científica, dias chuvosos, séries de TV e café. Quer saber mais?Clique 
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