LEITURAS DE DEZEMBRO 2017 + REFLEXÕES LITERÁRIAS


Sinto que não posso vir aqui comentar sobre as novas leituras de 2018 sem antes dar um fechamento para o ano de 2017, então hoje venho compartilhar um pouco do que foi o meu ano com relação às leituras e também vou comentar brevemente (ou não) sobre os livros lidos em dezembro. Só assim terei paz e seguiremos em frente para falar de metas e desafios literários por aqui também. Quem acompanha meu canal já está sabendo de tudo isso. 

2017 E 2018 EM LEITURAS

Apesar de sempre ter a sensação de que não estou me dedicando tanto à leitura quanto eu gostaria, quando vi que durante 2017 eu li 83 livros fiquei bastante surpresa! Um número alto de leituras realizadas, ao meu ver, um número incrível. Me deu um quentinho no coração saber que fiquei na companhia dos livros tempo o suficiente para ler 83 deles. É uma felicidade indescrítivel, apenas quem é leitor entende. Mas isso mostra o quanto meu pensamento de "não estou me dedicando o suficiente aos livros" é uma GRANDE bobagem. E  ao mesmo tempo que é legal contar os livros lidos - para chegar no final do ano e fazer essa reflexão, por exemplo - também é algo que não importa tanto. Gostaria muito de desapegar disso, nem ligar para números, mas não consigo. Gostaria de ler somente me importanto com as experiências e histórias que ficarão comigo, isso é o que realmente importa, mas eu adoro chegar no final do ano e saber quantos livros li, isso dá uma noção enorme de como eu passei meu tempo durante o ano. 

Portanto, esse ano vou continuar me organizando e anotando minhas leituras. A única diferença é que agora meu método de organização foi evoluído - vou mostrar em um post em breve - e esse novo método é mais completo, digamos assim. Em 2017 eu anotei os livros lidos e os autores, apenas isso, mas ao chegar no final do ano senti falta de ter algo mais específico então em 2018 vou anotar o título, nome do autor/autora, país do autor, gênero literário e uma suposta nota. Acredito que isso vai me satisfazer para realizar minhas reflexões ao final do ano. 

SOBRE GÊNEROS LITERÁRIOS, AUTORES E AUTORAS

Em 2017 tive o prazer de ter parceria com algumas editoras - três, para ser mais específica - e apesar de ser uma experiência interessante, já deu, sabe? Foi bacana acompanhar os lançamentos dessa editora e desenvolvi um carinho ainda maior por uma delas ao longo dessa parceria, mas por outro lado - e sempre temos o outro lado - eu fiquei tão focada em ler os livros que recebia das editoras que deixei os meus livros de lado. Eu tenho muitos livros aqui, aqueles que compro por que sinto muita vontade de ler e me envolver com a história, e esses foram basicamente esquecidos para que eu pudesse ler os livros das editoras. 

Como eu disse, a experiência foi legal e li coisas diferentes também, que eu não leria por conta própria. Super valeu a pena, mas comecei a pensar e percebi que em 2018 eu não quero mais isso. Portanto, não terei nenhuma parceira esse ano, vou me dedicar aos livros que morro de vontade de ler, aqueles que estão aqui na estante e foram deixados um pouco de lado e isso tem me deixado mais empolgada e até mais próxima dos livros. Em outra palavras: mais feliz. 

Isso tudo me trouxe um "problema", mesmo tendo lido livros um pouco diferentes eu acabei ficando presa ao "mais do mesmo". Quando percebi que mal havia lido um Quadrinho, ou um livro de Não-Ficção, Clássicos, Contos, enfim, queria tanto ter lido livros em inglês, por exemplo e acabei lendo um total de... zero livros. Não posso negar que fiquei um pouco frustrada com isso, li 83 livros, mas não li de fato o que eu gostaria tanto de ter lido. E isso também ajudou para eu tomar a decisão de Não Mais Parceria Com Editoras e também me ajudou a formular um desafio literário onde eu poderei me atentar aos gêneros que queria ter lido mais e não li. 

Outra coisa que notei com um espanto enorme em 2017 foi o fato de ter lido 83 livros e apenas 24 deles pertencerem à autoras. Sim, esse papo... isso mesmo. Eu recebi um comentário outro dia dizendo o seguinte: "não importa se é homem ou mulher, o importante é ler" se fosse um tempo atrás eu teria concordado piamente dizendo "sim, com certeza, para quê diferenciar isso?". No entanto, eu achava - ah, que inocência - que eu lia a mesma quantidade de livros tanto escrito por homens quanto por mulheres, e imaginem meu espanto ao perceber que os livros escrito por mulheres não chegam perto da metade de uma lista de 83 leituras. 

Isso foi um choque, de fato. E fico feliz por ter ido lá contar e por ter percebido que é real esse lance de que precisamos ler mais mulheres. Não me entendam mal, não é que eu não achava importante o fato de ler mulheres, achava sempre incrível os projetos e apoiava muito, mas como disse, na minha cabeçinha avoada achava que eu estava lendo de forma igual quando o assunto era autores e autoras. Mas acontece que qualquer leitor quando fizer uma conta parecida com a minha vai perceber que leu mais autores do que autoras. O que é "natural", mais homens escreveram livros do que mulheres. Só que aí a gente lembra o porquê mais homens escreveram livros... e aí a ficha caí. 

Enfim, uma das minhas metas é dar valor para essa minoria que produz literatura de forma incrível. E quero ir um pouco além disso, quero também me dedicar à autoras negras. Também acho importante dar essa atenção e ouvir o que essas autoras tem a dizer. Espero que vocês tenham entendido minhas motivações e convido todos a fazerem essa contagem aí.

Vai ter post sobre os livros dessas autoras que quero ler, vai ter post sobre o desafio literário que vou realizar e vai ter post sobre a minha organização em 2018. Pronto, já escrevi para não esquecer, então já podemos ir aos livros lidos em dezembro.

ÚLTIMAS LEITURAS DE 2017



Comecei o mês terminando a leitura de "O ódio que você semeia" e que livro! A autora vai trazer temas pesados e necessários em um contexto Jovem Adulto, ou seja, é sim uma leitura para um público jovem. Particularmente, acho incrível essas autoras que se proprõem a tratar temas difícieis e pesados em livros para jovens, é tão necessário falar sobre como é ser negro numa sociedade envenedada pelo racismo. É necessário falar sobre como é ser uma menina negra nessa sociedade. Apesar da história se passar nos EUA, podemos fazer tantas relações com o Brasil que chega a doer pensar que o mundo, em pleno século XXI, está tão ridículo assim. O ódio é algo que vemos constantemente, seja na sala de aula, no trânsito, na internet, em casa. Está em todos os lugares e na real, precisamos começar a pensar sobre essas coisas de uma forma séria, não podemos deixar que o ódio tome conta. Quem vai sobrar se o ódio dominar? Dominar mais do que já dominou, né... Enfim, é um livro emocionante, cruel e essencial. Vá ler! 



"O livro do juízo final" tinha me tomado um tempo, foi uma leitura que aconteceu em várias camadas, de formas diferentes. Eu comecei a ler e pausei, voltei a ler e pausei novamente e não por que a história estava ruim, eu estava adorando cada detalhe, mas não sei o que houve, só sei que foi assim. No final das contas, adorei demais esse livro! A autora - premiadíssima com merecimento, viu - nos traz um história onde comtemplamos um futuro mais distante onde é comum viajar no tempo. A universidade que temos na história é responsável por essa ferramente e seus alunos e estudiosos fazem essas viagens para de fato saber como era viver em tal período, no entanto, existem períodos que é proíbido viajar, como a Idade Média por exemplo, por conta do alto nível de perigo. Imagina só, que delícia viajar para a Idade Média, não é mesmo? SNQ! 

No entanto, uma das personagens principais, uma estudante de história se interessa em ir para a Idade Média e aproveita que o  diretor saiu e o cara que entrou no lugar liberou geral. Um cara maluco, detestável que aparentemente, não ligava a mínima para a garota doida que queria ir pra Idade Média. A sorte é que ela tinha pessoas que se importavam com ela e tentaram impedir, mas a garota foi mesmo assim. E isso não é um spoiler, está na sinopse, e claro que um livro com mais de 500 páginas vai abordar muito mais que isso. A partir do momento que ela decide ir, vamos acompanhar toda essa jornada... e ela não é fácil. A premissa desse livro é incrível e ele como um todo é incrível também, simplesmente adorei e indico DEMAIS para quem gosta de História. Um prato cheio!



Esse eu já sabia que seria um favorito! Não tinha dúvidas pois já amava a série de tv The Expanse - corre pro Netflix que tem lá - e a leitura só confirmou todo meu amor por essa história e minha expectativa com essa série de livros - são 7 volumes bem gordinhos, se não me engano. Mas afinal, do que se trata Leviatã Desperta? Essa é uma pergunta difícil de responder, a história é tão ampla e complexa, mas vale a pena tentar: num futuro distante os humanos já dominaram o sistema solar, mas existe uma rivalidade e intrigas políticas nesse novo sistema. Além disso, existe um preconceito enorme com relação aos diferentes planetas e seus povos.

Para dar um pontapé na história temos acontece um assassinato em massa e parece que Marte é o culpado disso tudo. Vamos acompanhando então os personagens investingando e desenvolvendo a trama da história, com muita ação e politicagem. E só uma informação assim ~quase nada importante ~mas o George R. R. Martin foi uma das primeiras pessoas a lerem essa história, e ele amou.



Essa foi uma leitura que começou muito legal, depois achei que seria um romance bobinho e desanimei um pouco, mas terminou de uma forma que eu gostei e ... Star Wars, né. Acho que nem precisaria dizer mais nada. Só de ver personagens que amo tanto como a Princera Leia, Darth Vader, Luke, já foi incrível, mesmo que esses personagens não tenham destaque e quase nem aparecem na trama, apenas são citados em algum momento. Mas eles estão ali, é o mesmo universo, a mesma época. 

Acompanhamos então dois jovens que tem um sonho em comum: fazer parte da frota imperial. Desde pequenos esses dois treinam juntos para atingir esse objetivo, fazem planos juntos, sonham juntos. E acredito que seria spoiler - talvez não - continuar a contar, mas o que posso dizer é que ela vai para um caminho, e ele para outro completamente diferente. E mesmo assim existe um romance ali no meio, por vezes açucarado, por vezes bem real life. É um livro simples, gostoso, traz reflexões importante a cerca da forma como lidamos com o governo e com as nossas crenças, e isso representa muito Star Wars para mim. Essa coisa de pensar sobre o governo e sobre o que acreditamos e seguimos, isso é Star Wars. E é lindo. 



Ah, que belíssima surpresa! Esse livrinho, na verdade uma novela com pouco menos de 100 páginas, foi escrito por um autora negra, afrodescendente que mora nos EUA, mas tem uma relação muito próxima com o país que orgininou sua família. E por conta disso, ela nos conta em Binti uma história de ficção científica com elementos da cultura africana. 

Binti na verdade é uma trilogia, os outros dois livros são maiores que o primeiro - graças ao bom deus -  e estou muito animada para devorar os outros livros. Infelizmente só temos essa história incrível disponível em inglês, espero que você aí consiga ler em inglês e espero também que alguma editora iluminada traga Binti pra cá, a gente merece.

Mas afinal, do que se trata? Também estamos num futuro, numa sociedade diferente dessa que conhecemos hoje. E também conquistamos outros planetas e sabemos da existência de outras raças, podemos interagir e conviver com os alienígenas. No entanto, existe um povo que habita esse planeta terra que nunca conquistou as estrelas, jamais saiu do planeta. Eles tem uma cultura própria, eles tem seus papéis para administrar na sociedade que eles criaram, tem suas crenças e são negros, usam vestimentas diferentes e tinta no rosto.

Uma das meninas desse povo, a Binti, é aceita numa universidade que fica em outro planeta, no entanto, ela não pode ir. Se ela for, estará desafiando a cultura e a crença do seu próprio povo, é como simplesmente desistir, não fazer parte mais. E mesmo assim, ela quer ir, ela quer desafiar esse estigma, ela quer o novo. Não vou dizer se ela chega ou não na universidade, mas ela de fato sai do planeta e muitas coisas vão acontecer com essa menina. Inclusive ela sofrerá um preconceito enorme, pois seu povo é muito recluso, os demais humanos - e as demais raças - não tem costumo de vê-los. É chocante, interessante e super válido, vai nos fazer pensar sobre o racismo, diferenças culturais e sociedade. Ah, nada como um boa ficção científica! 


Rita Zerbinatti, 26 anos, professora, apaixonada por Ficção Científica, dias chuvosos, séries de TV e café. Quer saber mais?Clique aqui.



2 comments

  1. Ahhhhh como essa publicação me deixou feliz. Gostei de saber que pensa como eu em relação as parcerias. Ano passado eu já dei tchau para várias editoras e esse ano já iniciei fazendo o mesmo. Quero me dedicar e ler o que eu quero sem ficar presa a lançamentos =D

    Boas leituras pra gente
    Beijo

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  2. Esse ano também decidi cortar as parcerias e dar chance aos livros que estão parados aqui em casa (e são muitos). Você leu bastante em 2017 e espero que nesse ano você continue lendo muito e conhecendo várias histórias incríveis.

    Beijos, Gabi
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