ENTRE QUATRO PAREDES - B. A. PARIS


Uma coisa me chamou atenção ao pegar esse livro em mãos pela primeira vez: o detalhe na capa que diz "O casamento perfeito ou a mentira perfeita?". Isso não é lá grande coisa, mas na mesma hora me peguei pensando em como lidamos com mentiras diariamente. Portanto, quero começar te perguntando se você já mentiu hoje? Pode ser aquela coisa boba, aquela mentira clássica do "estou bem" quando na verdade nada está bem. Enfim, são variados os formatos dessas mentiras e esse livro aborda um pouco essa questão, essa coisa do fingimento, o viver de faxada, as pequenas grandes mentiras. 

Antes de comentar mais sobre os pensamentos que tive durante a leitura, é importante falar um pouco sobre a história, então vamos lá: Grace está cansada e com medo do caminho que sua vida está tomando, na verdade ela tem medo de ser uma solteirona, já está com a idade de casar. Aquela besteira de não-quero-acabar-sozinho, imagino que esse é um pensamento que uma hora chega pra todo mundo. Com isso, ela se joga de corpo e alma em seu atual relacionamento com um cara aparentemente perfeito. E é interessante comentar sobre essa história, pois na verdade a narrativa reveza entre o passado e o presente, sendo assim, não quero entregar mais do que isso. 

Voltemos ao detalhe do passado e do presente: esse é o primeiro livro da autora, e eu *opinião pessoal de uma pessoa que não é especialista* acho bem arriscado optar por um história com uma narrativa tão complexa. Navegar entre o presente e o passado é algo bem difícil e poucos autores tem habilidade o suficiente para fazer isso de forma a não perder o leitor. Stephen King em "It, A Coisa" dá uma aula de como fazer isso, por exemplo. Ok, não estou querendo comparar a autora com o King, de forma alguma, mas o certo é que ela não me ganhou muito. Talvez, só talvez, se ela não tivesse se arriscado tanto ela poderia ter contado essa história de uma forma mais atraente, ao menos para mim. É legal esse lance de ir contando a história revezando entre os acontecimentos de agora e o que aconteceu antes, mas também é difícil e no final eu fiquei com a sensação de que não li algo assim... como posso dizer isso... bem escrito? 

A verdade é que esse é aquele tipo de livro que te entrega aquilo que promete e não mais do que isso. Não tem um destaque para a escrita da autora, não tem frases ou momentos marcantes no meio da história, mas ainda assim, aborda algumas questões para pensarmos a respeito. É aquele livro que você pega pra ler no avião, no ônibus ou quando quer apenas se distrair com uma história que sabe que será rápida e intensa. Isso não é ruim, pelo contrário, a vida não é feita apenas de leituras que vão te tocar a alma, precisamos de um meio-termo pra tudo. 

REFLEXÃO

Agora chegou o momento de comentar sobre o que passou pela minha cabeça durante a leitura.

 Essa coisa da mentira me chamou muita atenção, ao menos na minha opinião, parece que nós estamos cada vez mais nos importando menos. E fingimos nos importar, mas na verdade we don't give a fuck. Existe um abismo entre o que uma pessoa fala e o que ela faz. O que nos torna assim? O mundo digital? A sociedade moderna? A própria essência humana?

Existem pessoas que só se vêem como um reflexo da imagem que criaram para si mesmas. Tudo baseado na mentira. Tudo baseado no que agrada o outro, baseado naquilo que a sociedade impõem. As pessoas se apegam em uma imagem que não é a realidade delas mesmas, elas não são aquilo de verdade, mas seguem fingindo. E conforme vamos convivendo com essas pessoas, observamos o quanto mentem para si mesmas e para os outros. Mas é interessante pensar sobre isso pois, quem nunca mentiu para si mesmo? Estamos todos envoltos em mentiras e construímos nosso dia-a-dia dessa forma? 

É torturante e cruel viver assim, fingindo. E já faz um tempo que esse tipo de pensamento vem rondando minha mente pois me vi falando com pessoas que não queria falar, fazendo coisas que não queria fazer e isso também é viver fingindo. O importante, acredito, é despertar. Perceber que não podemos viver assim, nos fingindo de cegos, ignorando coisas que não poderiam ser ignoradas e fazendo coisas das quais não queremos nem um pouco fazer. Acho que valemos mais do que isso. E já faz um tempo que decidi viver de forma diferente, sabe? Fazer mais daquilo que realmente me dá prazer, praticar gratidão e meditação todos os dias, falar com aquelas pessoas que deixam meu coração feliz. Parece besteira, mas meu caminho melhorou muito depois disso. 

Enfim, esses foram alguns dos pensamentos que me cercaram durante a leitura, espero que tenha despertado algo em vocês. Talvez se interessem em ler o livro, talvez se interessem em conversar mais a respeito disso tudo. Fiquem à vontade para comentar :) 



Rita Zerbinatti, 25 anos, professora, apaixonada por Ficção Científica, dias chuvosos, séries de TV e café. Quer saber mais?Clique 
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