NO SEU PESCOÇO - CHIMAMANDA NGOZI ADICHIE


Chimmamanda me ganhou assim que ouvi suas primeiras frases de um discurso. Aquele que fez muito sucesso e tem milhares de acessos no Youtube: sejamos todos feministas. Eu acho incrível, assisti várias vezes e percebi que aquele discurso, aquela mulher, me dava força. Vocês sentiram isso também quando viram o discurso dela? Se ainda não viu, veja, por favor. A Chimamanda tão distante de mim, mostrou-se tão perto naquele discurso e a partir daquele dia eu decidi que iria ler todos os livros dela. No entanto, cá estou, muito tempo se passou e ainda não li nenhum dos seus romances. Mas calma lá, temos um momento certo pra tudo não é mesmo? Foi a vez dos contos primeiro.

No seu pescoço, escrito por essa autora nigeriana incrível, tem 12 contos. Isso me surpreendeu, até por que nem sabia que era um livro de contos, vi que era da Chimamanda, gostei da capa, gostei do título e resolvi ler. Simples assim. Tenho parceria com a Cia das Letras - uma das editoras mais brilhantes de todos os tempos desse Brasil, vocês devem estar concordando com a cabeça agora - eles me enviaram o livro e só quando chegou em minhas mãos que me dei conta: ahhh, é um livro de contos! Não pude deixar de franzir o cenho e pensar mas queria tanto ler um romance dela, achei que era um romance. Culpo minha extrema distração por isso. No entanto, me dei conta de que faz tempo que li um livro de contos e houveram tantos outros que abandonei pelo caminho de 2017.

Acabou que me empolguei para ler esses 12 contos escritos pela Chimamanda, pois também me lembrei o quanto essa mulher havia me inspirado e me dado forças com seu discurso. Me lembrei que cheguei a pensar que leria qualquer coisa que ela escrevesse, e por que não começar pelos contos então? Já tomei ótimas decisões na minha vida, a maioria não foram assim tão boas, mas escolher esse livro se encaixou na categoria "ótimas decisões" com certeza. E já se foram quase 3 parágrafos desse texto e só agora revelo para vocês que não sou boa em escrever sobre contos. Desculpa se te frustrei. No entanto, penso que se você está aqui, lendo isso, talvez seja por que você gosta do jeito que eu escrevo e talvez você goste desse texto e decida ler esse livro. Esse é um dos meus objetivos afinal.

Sou ruim em escrever sobre contos pois quero comentar sobre todos e ao mesmo tempo não quero, fico pensando que talvez estrague a experiência de alguém se comentar sobre todos, sei lá. Portanto, decidi fazer um geralzão aqui, não vou me prender na ideia de comentar todos os contos nem nada disso. Começando agora, 3,2,1: o que mais me chamou atenção em todos os contos foram as personagens femininas. Sabe, em cada um delas eu encontrei a Chimamanda, digo isso por que essas personagens me deram força através de suas atitudes, de suas maneiras de lidar com a vida. A história que a autora desenvolve em cada um dos contos é brilhante, é real.

A autora aqueles temas cotidianos porém sofridos, como preconceito, discriminação, mulheres sendo desvalorizadas. Aquele tipo de coisa que vemos todos os dias, aquele tipo de coisa que parece que nunca irá mudar. Outra coisa que chama atenção nos temas que a autora aborda é a questão do estrangeiro, aquela coisa de "vamos ganhar a vida na América" que na maioria das vezes, não é tão legal na prática. Interessante perceber o preconceito embutido em pequenas frases, pequenos momentos, pequenos olhares mas que causam grandes angústias. Alguns personagens vivem esse tipo de coisa, se sentem menosprezados, invisíveis, sem importância.

No seu pescoço é um livro que vai te dar uma bagagem incrível, daquelas que terá orgulho de carregar por aí. Acredito que a Chimamanda consegue te mudar pra melhor. Ela fez isso comigo principalmente por que ao terminar percebi que tinha lido um livro poderoso e bem escrito, me envolvi demais com os personagens desses contos, estabeleci relação com vários, pude repensar muita coisa, rever atitudes e meu olhar certamente ficou mais apurado e mais generoso. Fico até impressionada como a autora em poucas páginas, com um livro de contos, onde cada história é diferente com personagens diferentes, conseguiu me atingir tanto. Essa mulher não é só poderosa, ela é genial. 





Rita Zerbinatti, 25 anos, professora, apaixonada por Ficção Científica, dias chuvosos, séries de TV e café. Quer saber mais?Clique 
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Um comentário:

  1. Até hoje não li nada da autora, e nem assisti o seu discurso (vou mudar isso em breve), mas pelos comentários que eu vejo já me sinto encantada por seus escritos. Gostei da maneira diferente que você falou dos contos, sem ser separado sobre cada um, combina mais com você :) Com certeza esse será um dos primeiros dela que vou ler, assim que eu assistir o discurso é claro!

    Beijos, Gabi
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