A PEQUENA LIVRARIA DE CORAÇÕES SOLITÁRIOS - ANNE DARLING

Existe um gênero, o romance, que traz bastante criticas interessantes envolvendo várias questões. Algumas vezes esse gênero é chamado de "chick-lit" (literatura para meninas), o que pessoalmente acho um pouco sem noção. Além desse estilo ser um pouco desprezado, tem outra coisa que chama muita atenção nisso: por que vamos assumir que um gênero é somente para mulheres? No livro "A Pequena Livraria de Corações Solitários", por Anne Darling, esse é um dos temas levemente discutidos.


A Posy passou toda a vida dela na livraria Bookends, com o nariz nos livros, perdida entre as páginas de seus romances favoritos. Quando Lavinia, a dona da livraria, morre e deixa a loja a Posy, ela é forçada a deixar os livros de lado e enfrentar o mundo real. Mesmo tendo herdado um negócio quase falido, a Posy tem um plano para transformar a Bookends na livraria de seus sonhos. Mas será que o neto da Lavinia, conhecido como o homem mais grosseiro de Londres, vai deixar ela realizar esse sonho?

Apesar de muito do livro ser previsível, teve algumas partes que me fizeram pensar. Como escrevi, sinto que tem um certo desprezo para esse gênero, e creio que tem livros, como esse, que realmente confirma os preconceitos que se geram. Eu não posso dizer que eu amei ou que leria de novo, mas cada pessoa tem sua própria experiência com os livros. Eu sei de pessoas que leram esses tipos de livros como forma de escape da vida real. E não é para isso que os livros servem? De nos dar uma distração, um momento de lazer, um momento para deixar de lados os problemas? Eu acho que com tudo, não se pode levar ao extremo, decidir somente ler um tipo de literatura. É sempre bom experimentar, variar.

Também acho que esquecemos que livros da Jane Austen, das irmãs Bronte, Elizabeth Gaskell, e por ai vai, são parte desse gênero. São romances. É um gênero amplo e não deveria ser visualizado como literatura só para mulheres.

Teve uma época, que comecei a ler livros da Jojo Moyes, Rainbow Rowell e Marian Keyes. Muitos críticos literários consideram todas essas autoras como chick-lit. São leituras mais leves, mais rápidas, pensado para aquelas pessoas que vão sair de férias e querem se distrair com um livro que não envolva muito pensamento critico. Eu acho isso muito válido. Durante essa época, eu precisava disso. Mas mesmo sendo um livro que não envolve muito pensamento critico, não quer dizer que você não vai levar algo desses livros contigo. A Jojo Moyes em particular, mesmo sendo conhecida pelos seus livros como "Eu antes de você" e "Eu depois de você", tem uma capacidade incrível de contar histórias. Um dos livros que eu lembro até o dia de hoje, é a "A Baia dos Sonhos", sobre uma mulher com uma conexão profunda com as baleias. Essa autora pesquisa profundamente cada aspecto da suas histórias. Eu fiquei muito impressionada com seus detalhes, a riqueza da sua narrativa, e o amor que se transmite através da sua escrita.

Claro que esses últimos tempos estou em uma vibe completamente diferente, mas eu acho muito importante não formarmos preconceitos com livros, ou nesse caso, com gêneros, antes de ler ou saber de que se trata. Sim, tem alguns livros desse gênero que são superficiais, e lamentavelmente, mal-escritos. Mas não é o mesmo com qualquer outro gênero? Eu gostaria muito que vocês fossem reler esse post que a Rita fez uns meses atrás. Da mesma forma que não deveríamos julgar o livro pela sua capa, não deveríamos julgar um livro pelo seu gênero. Por mais que temos preferencias e gostos, é muito importante sairmos um pouco da nossa zona de conforto. Procurar a aprender a ser mais aberto, ter idéias diferentes, que talvez não faz parte do que gostamos ou preferimos.

No caso desse livro, eu achei que faltou desenvolvimento. Eu fui descobrir depois que será uma série de livros, mas para mim deixou muito á desejar. Creio que a escritora quis abordar esse tema do "chick-lit", contando uma história divertida e bem humorada, mas se perdeu no caminho. É realmente lamentável quando isso acontece.





27 anos. fotógrafa. cidadã do mundo. amante de viagens, café e bolo. Um pouco viciada com as séries! muitas vezes sou confundida com indiana.

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2 comentários:

  1. Aline, gostei da sua resenha, foi uma resenha sincera, bem ao estilo que nós leitores do blog merecemos. É sempre tão bom conhecer novas obras pelo olhar desse blog, gosto muito do trabalho de voces, por isso estou sempre acessando... abraço, Dieison do RS.

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  2. Muito obrigada! E tão bom conhecer novas obras, vai ampliando nosso mundo!

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