O SEGREDO DOS CORPOS - DR. VINCENT DI MAIO & RON FRANSCELL


Mais um livro da Darkside Books de Não-Ficção que mostra que a nossa caveirinha não está para brincadeira! Sou suspeita para falar, mas a Darkside arrasa demais. Assim que soube da existência desse livro fui correndo garantir o meu, simplesmente por que é um livro sobre patologia criminal. Vamos acompanhar as experiências de um grande patologista forense, o Dr. Vincent di Maio, mas quem está nos guiando nessa sinistra tarefa de examinar os corpos é o escrito Ron Franscell. 

Assim que peguei esse livro e li o primeiro capítulo soube que não conseguiria largar. O tema pode parecer muito pesado e desagradável, mas a forma como foi escrito é simplesmente sensacional. Percebi logo de cara o potencial que esses dois tem, especialmente o Ron Franscell, para contar uma história de um jeito certo. Na minha humilde opinião, uma história está sendo contada do jeito certo quando ela te faz prender a respiração, te suspende no ar como se mais nada ao redor importasse e te transporta para perto dos acontecimentos. Simples assim.

A cada capítulo acompanhamos o desenvolvimento de casos onde o Dr. Vincent di Maio teve participação como patologista forense. Antes de qualquer coisa, o que diabo é patologia forense? É uma área da ciência e da medicina que analisa um cadáver para determinar a causa da morte. Portanto, esse livro contém descrições detalhadas sobre pessoas mortas, assassinadas de formas cruéis. Para um estômago muito sensível, cuidado, mas você fica tão interessado para saber o desenrolar dos casos que esse detalhes acabam passando batido. 

No Instagram recebi algumas perguntas sobre esse livro, algumas pessoas estavam curiosas para saber se era uma obra muito pesada. Sempre acho difícil definir isso, até por que o que é forte ou pesado pra você pode não ser pra mim. Esse livro tem um quê de investigação policial muito forte e uma narrativa muito muito boa, portanto, creio que não seja uma leitura assim tão pesada. Depende muito da sua sensibilidade para algumas cenas, porém, se você é fã de True Detective e CSI, você vai pirar com essa leitura! Se existe aí dentro uma curiosidade com essa obra, vá até a livraria e leia um pouco, só para sentir o gostinho. Tenho certeza que vai acabar levando o livro para a casa. 

O coração humano não é um disco rígido que podemos dissecar para perscrutar os segredos que encerram cada tecla pressionada ao longo de uma vida (...) corações se partem, ainda que não deixem vestígios. Morrer é, às vezes, mais fácil do que viver com a morte.

É interessante o fato de que estou com essa sensação que esses casos comentados no livro vão me acompanhar ainda por muito tempo. Será difícil esquecê-los, até por que são relatados de forma incrível, mas são também absurdamente bizarros. Sabe aquela sensação de que o mundo está errado e que as pessoas são horríveis e não dá pra confiar em ninguém? Então, essa é a sensação. Os casos envolvendo crianças e bebês são particularmente marcantes, no entanto, todos os casos tem algo muito forte por trás, como por exemplo: racismo,jogo de poder, manipulação da mídia, entre outros. Coisas que realmente vão te cutucar ali no fundo e te deixar pensando. 

Estamos todos enredados nos enigmas da vida. Aceitamos que há mistérios que não podemos resolver, mas buscamos respostas mesmo assim. Viver é como montar e desmontar incessantemente um quebra-cabeça. Sempre foi assim, sempre será. A morte também nos apresenta muitos enigmas, mas penso que o mistério da morte está naquilo que podemos ver, e não no que está oculto. As pistas estão todas lá, e podemos sempre encontrar as respostas que procuramos. Não há nada de anormal em olhar e se perguntar... o que não é normal é a indiferença. 

Enquanto nos contam sobre esses casos, também acompanhamos a história da carreira desse médico e como tudo começou. Além de falar sobre como e porquê se tornou médico e como foi parar na área da patologia forense, Dr. Vincent di Maio também fala sobre morte, esse tema que tentamos afastar da nossa mente a qualquer custo. No entanto, ele fala sobre a morte de uma forma sutil, crua e sincera, fazendo um convite para pensarmos sobre isso também. Pensei que teria aquela impressão de que ele fosse uma pessoa dura, sem sentimentos, calejado de tanto lidar com a morte, porém, incansáveis vezes ele fica tentando lembrar a si mesmo que "aquele corpo é só uma casca", caso não se lembre disso, ela tem consciência de que pode desmoronar a qualquer momento. 

Uma coisa que o livro despertou em mim - além da vontade de ter toda a coleção de Crime Scene da Darkside Books - foi um pensamento que não é novidade, mas sempre bom reforçar: temos que viver uma vida positiva, praticar gentileza em todos os cantos, o dia de amanhã nunca se sabe. Passei a enxergar a vida - e a morte - de uma outra forma, de um jeito mais simples, afinal, esse corpo é só uma casca. 













                                                                                                                                                     Rita Zerbinatti25 anos, criadora do blog e canal Cheirando Livros, professora, apaixonada por Ficção Científica, dias chuvosos, séries de TV e café. Quer saber mais?Clique aqui.

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