NO RADINHO: PATTI SMITH

13:00
Existem algumas pessoas que te cativam assim que você ouve a voz delas. Parecem que estão se conectando profundamente com você, mesmo numa distância assombrosa. Se sentir próximo de uma cantora/cantor é uma das nossas particularidades mais lindas, me lembro como se fosse ontem a emoção absurda que foi ir ao show do Paul McCartney ou ver ao vivo e em cores o Explosions In The Sky. Me pareceu, naqueles momentos, que foi aberto uma brecha no tempo e no espaço e pude finalmente ver bem na minha frente aquelas pessoas das quais nunca tive outro tipo de contato a não ser ouvindo suas vozes, suas músicas. 

Essa conexão é incrível e quando ouvi a Patti pela primeira vez, há uns anos atrás quando eu era uma Rita mais rebelde e estava numa vibe muito rock'n'roll. Nessa época eu adorava esse estilo meio largado, meio i-don't-fucking-care e quando ouvi a Patti me identifiquei na mesma hora. Claro. Só de ouvir sua voz já pude perceber que ela era única e tinha um estilo único também. Não estava errada. Ela me marcou, assim como Janis, Jimi, Jim, David, John, Mick, Syd e toda uma gangue especial me marcou naquela época. Mas eu passei dessa fase. 

Isso não significa que eu parei de ouvir essas pessoas inesquecíveis, de forma alguma! Ainda me emociono profundamente quando ouço um álbum dos Bealtes ou quando a Janis começa a cantar. Me emociono não só por suas músicas e seus talentos atingirem níveis absurdos, mas me emociono por que ainda me sinto - e creio que sempre me sentirei - muito conectada com essas pessoas, e por causa das relações e memórias que criei ao ouvir suas músicas. A arte tem esse poder incrível, só de lembrar desses músicos, já me enche os olhos e o coração.

Segui em frente, expandi minha capacidade de apreciar música, saí da esfera do rock. Conheci outras bandas incríveis, passei a gostar muito de outros gêneros e sempre deixei bem guardadinho essas bandas e cantores no meu coração, numa caixinha com aparência vintage meio largado. Porém, essa semana eu peguei pra ler um livro chamado Só Garotos, da Patti Smith. Confesso que algo, bem lá no fundo do meu ser, já amava a Patti escritora. As letras das músicas dela já haviam me dito tanto em outros tempos, se as músicas já tinham tanto poder fiquei imaginando o livro. 

Só Garotos, em poucas páginas me emocionou de um jeito incrível. Senti toda a força daquela conexão que acontecera anos antes como se fosse a primeira vez. Deu uma saudade imensa da voz dela, das letras. Fui obrigada a voltar pra aquele meu mundo de uns anos atrás, carregando outros sentimentos, afinal nunca estamos com a mesma bagagem, não é mesmo?! E hoje venho pedir, encarecidamente que escute a voz da Patti. Espero que sinta o mesmo poder, a mesma vibração, a mesma conexão que eu senti. 

Esse álbum Peace and Noise é meu favorito, e ao meu ver, ele traduz muito bem o estilo que vejo da Patti, paz e barulho, silêncio e agitação, solidão e alvoroço. Espero que vocês gostem! 


If I was a blind man 

Would you see for me 
Or would you confuse 
The nature of my blues 
And refuse a hand to me



Rita Zerbinatti, 25 anos, professora, apaixonada por Ficção Científica, dias chuvosos, séries de TV e café. Quer saber mais?Clique aqui.



Um comentário:

  1. Que texto! Que blog! Perfeito! Como não virar fã do teu trabalho Rita? Você é demais!

    É por isso que estou sempre ligado no que você posta aqui. E fiquei interessado em ler esse livro Só garotos, já pesquisei sobre ele e inclui na minha lista de leituras futuras.

    Parabéns pelo seu trabalho, um abraço, Dieison, do RS.

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