DOIS IRMÃOS - MILTON HATOUM

Por onde eu começo? Realmente é muito difícil me expressar quando um livro mexe comigo. E esse livro, Dois Irmãos, escrito por Milton Hatoum, conta essa história de uma maneira um pouco desinteressada, sútil, que só depois você percebe como profundamente essa história te revira. 

A história começa com a Zana, mãe de dois gêmeos, Yaqub e Omar, que está a beira da morte e sofrendo muito. Se descreve uma cena angustiante onde ela faz uma última pergunta antes de morrer, “Meus filhos já fizeram as pazes?” Ela é respondida com silêncio. Descobrimos pouco depois a história de Yaqub, e sua volta ao Manaus depois de ter sido forçado a morar no Líbano com seus parentes. O motivo da viagem é esclarecido quando percebemos o que há entre os dois irmãos: foram separados na tentativa de evitar conflito entre eles. 

As diferenças entre os irmãos parece ter começado até mesmo no berço, quando a mãe deles, Zana, dá preferencia ao mais novo, Omar. Nasceu pouco depois do irmão, Yaqub, e é mais pequeno e vulnerável. Essa diferença desperta uma preocupação na Zana, que passa mais tempo com o Caçula do que Yaqub. Com medo de o seu mais novo poderia morrer, ignora o outro gêmeo.

A primeira disputa entre os irmãos acontece quando os dois se apaixonam pela mesma menina, Livia. Em um momento critico, o Yaqub consegue conquistar a Livia, quando estão numa sessão de filme na casa de vizinhos. Houve um problema com o equipamento e as luzes se apagaram. Quando as luzes acendem, os lábios de Livia estão no rosto Yaqub. Omar, o caçula, se vinga, quebrando uma garrafa e atacando seu irmão. Uma cicatriz em forma de meia lua marcará o odio entre ambos. Pouco depois, Yaqub é despachado para o Libano.

Cinco anos se passam e Yaqub volta para casa. Não fala muito das suas experiencias e é muito reservado. Omar é o rei da casa, monopolizando a atenção das mulheres, e é óbvio que ele é favorito da sua mãe. E assim seguimos a história de cada um, conforme os anos vão passando. 

Como vêem, ainda estou tendo dificuldade de escrever, paro para pensar e tem tanta coisa que gostaria de falar sobre esse livro. O ciúme entre os irmãos é algo tão poderoso e perigoso. Afeta a todos dentro da família, até o Omar, que é o preferido da casa. Mesmo tendo essa posição, ele sabe que o irmão fará muito mais que ele. O irmão é uma pessoa inteligente e disciplinado, que conseguirá sair da pequena cidade onde eles vivem. 

A mãe deles faz nada para revirar essa sentimento que ela mesmo criou dentro dos filhos. O ignorado consegue sucesso, por que, na minha opinião, ele quer demonstrar à todos que apesar de não ter os afetos da mãe, ele pode se tornar alguém no mundo. O amado, sempre debaixo das asas protetoras da mãe, não consegue viver longe dela. É tamanha manipulação que as duas vezes que ele se apaixona, a mãe se intromete e acaba com as relações. 

Tem vários momentos no livro que deu uma vontade de chacoalhar essa mulher. Mas eu percebi nela uma necessidade, uma carência, na maneira que cuidava de seu caçula. E sem comentar no marido dela, que também fomentou esse espirito de ciúme na sua casa, já que ele queria a atenção da mulher pra ele.

Milton Hatoum soube enfrentar o lado sinistro do amor. Um amor que gera ciúme, incentiva o ódio, que justifica essa dependência em outro ser humano, longe der ser saudável. Esse fenômeno ocorreu dentro dessa família, e só tiveram tragédias. Tem tanto para analisar dentro dessa obra, mas quero só deixar um gostinho para vocês, e que possam descobrir por si mesmos o que o amor, se é que se pode chamar disso, sombrio pode fazer dentro de uma família. 






27 anos. fotógrafa. cidadã do mundo. amante de viagens, café e bolo. Um pouco viciada com as séries! muitas vezes sou confundida com indiana.

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