DEUSES AMERICANOS - NEIL GAIMAN


Confesso que quando comecei a sentir aquela vontade de ler esse livro - isso foi um tempo antes da série de TV estrear e estava todo mundo falando sobre Deuses Americanos em todo lugar - eu vi alguns comentários que ao mesmo tempo que instigava ainda mais minha curiosidade e também me deixava um pouco desanimada. Muita gente dizendo que ama, muita gente dizendo que odeia. Parecia não haver ninguém mais neutro, parecia realmente que esse livro era 8 ou 80. E eis que finalmente li Deuses Americanos e agora posso dar minha sincera opinião sobre como foi a experiência de leitura com esse livro. Mas antes, vamos conversar um tiquinho sobre outra coisa. 

Eu nunca havia sentindo nenhuma necessidade de estudar ou pesquisar sobre mitologia - seja ela qual fosse. No entanto, comecei a ver a série de tv Vikings e pronto, despertou dentro de mim um desejo por saber mais sobre os deuses nórdicos. Acabei comprando aquele livro do Neil Gaiman "Mitologia Nórdica" - que ainda não li, detalhe - e baixei um milhão de e-books sobre mitologia nórdica e várias outras, salvei documentários sobre o assunto para assistir, me empolguei. Porém, não li e não assisti nada, nenhum dos livros/e-books ou documentários foram apreciados. Só fiz a festa e não comi o bolo. E mesmo sem saber quase nada sobre mitologia, peguei o Deuses Americanos pra ler.

Eu sabia que esse livro era sobre uma guerra entre os Deuses antigos e os Deuses novos. Mas que diabo são os deuses antigos e novos? Um exemplo de deus antigo: Odin. Um exemplo de um Deus novo: a mídia, ou Media. Ou seja, os deuses novos são as tecnologias que nós tanto idolatramos hoje em dia. E poem idolatrar nisso! E na história, os Deuses novos estão matando os Deuses antigos, que se reúnem para resolver essa parada. Claro que não é só isso, e não podemos nos esquecer que no meio desse rolê todo está o nosso Shadow Moon, um cara que acabou de sair da prisão, sua mulher acabou de morrer num acidente de carro e ele de repente se vê no meio dessa confusão toda entre deuses novos e antigos. 

Certo, dito isso, já se pode imaginar o quanto de informação sobre mitologia - de todos os tipos e épocas - que esse livro abrange, né? E foi aí que eu escorreguei um pouco. O Neil Gaiman deixa muita coisa nas entrelinhas, muitos trocadilhos, muita coisa complexa por trás de uma simples cena. E eu não tive o conhecimento suficiente para entender tudo isso, portanto, posso dizer que deixei passar muita coisa durante a história. Mesmo assim, é uma obra extremamente bem construída, cheia de detalhes e cenas inesquecíveis, eu adorei a experiência de leitura.

Não estou dizendo que se você não tiver algum conhecimento sobre Mitologia você não será capaz de gostar e se envolver com a história. Longe disso! Com certeza é uma obra que vale a pena em qualquer circunstância, não se engane, se tem vontade de ler isso, vai fundo. Estou dizendo que na minha experiência de leitura me parece que deixei passar muita coisa legal, deixei de captar uns detalhes que estavam ali subentendidos. Isso não diminui a minha opinião sobre o livro, continuo achando sensacional, uma história única, inteligente, repleta de cenas bizarras que parecem causar um bug mental, cheio de diálogos interessantes que só o Gaiman consegue construir e personagens extremamente únicos e inesquecíveis. São tantas coisas boas pra falar de Deuses Americanos. 

Creio que vai levar um tempo pra parar de pensar sobre Reykjavík, sobre o Gaiman, sobre o Shadow e sua mulher Laura - personagem que adorei - sobre Odin e sobre tudo que chegou até mim durante essa leitura. Fiquei pensando nessa adoração que temos pela tecnologia, fiquei imaginando o poder das nossas palavras e atos, refleti sobre nossa relação com o novo e o antigo. Ah, foi uma leitura deliciosa, mesmo me escapando alguns detalhes. Pode parecer cedo para dizer isso, já que terminei o livro ontem, mas estou sentindo uma falta enorme desse universo. Estou sentindo que peguei uma parte minha e cedi ao Gaiman, que colocou com delicadeza mas de forma permanente essa história dentro de mim. Parece que me perdi em alguma estrada iluminada pela luz da lua, mas quando olhei para cima não havia lua nenhuma.  








Rita Zerbinatti, 25 anos, professora, apaixonada por Ficção Científica, dias chuvosos, séries de TV e café. Quer saber mais?Clique aqui.

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