A ZONA MORTA - STEPHEN KING


Stephen King sempre dispensa comentários. A cada livro que eu leio desse homem fico mais e mais apaixonada, encantada, querendo ler tudo! Com A Zona Morta não foi diferente. Esse livro foi lançado pelo selo Suma das Letras e eu recebi pela parceria com a editora, estava precisando de uma força para pegar de vez o It, A Coisa do mesmo autor, que comecei há alguns meses e larguei - não sei porquê, talvez o tamanho dele tenha me desanimado um pouco. Depois de ler A Zona Morta já quero me jogar no It. Até por que já estou com saudades do Stephen King. 

Eu li essa história sem saber nada sobre ela, tudo o que aconteceu foi uma incrível surpresa e me manteve ainda mais conectada com a história, portanto, não quero entrar em detalhes para que você aí também possa ter uma experiência surpreendente. (Inclusive se quiser pular esse parágrafo, fique à vontade.) O autor vai nos apresentar ao Johnny Smith, um rapaz extremamente carismático que acaba desenvolvendo - por motivos que não quero comentar aqui - uma habilidade de prever o futuro, de achar coisas perdidas. Algo na mente dele se abre e vamos acompanhar como ele vai lidar com isso, e como as pessoas ao redor vão lidar com isso. É absolutamente apaixonante e ao mesmo tempo intrigante. 

Como sempre, o autor faz a apresentação dessa narrativa como ninguém. Ele vai jogar algumas informações intensas logo no primeiro capítulo, ou melhor, no prólogo. A partir do momento que li esse prólogo já sabia que estava rendida e foi o suficiente para me fazer querer devorar a história toda. Não vou cansar de dizer: Stephen King é muito bom! Outra coisa interessante é que tem alguns capítulos que, à primeira vista, parecem um pouco avulsos e até mesmo, fora do contexto e do tom da história. Nesses capítulos acompanharemos personagens bastante sinistros, e são capítulos mais densos, com cenas de violência e muita tensão. Aliás, vários momentos são pura tensão nessa história. 

Além do personagem do Johnny, temos outros personagens interessantes e bem desenvolvidos, bem estruturados dentro da história. Uma que chamou muita atenção foi a Sarah, namorada do Johnny, mas infelizmente ela não tem muita participação na história - não tanto quanto eu gostaria - porém, as cenas em que ela aparece são incríveis. Fiquei me colocando no lugar dessa personagem a história inteira, achei intenso. E os pais do Johnny também são personagens incríveis, especialmente sua mãe, que acaba se transformando em uma religiosa pra lá de fanática. 

Essa história traz muitas questões intrigantes e temas interessantes para se pensar. Uma coisa que me chamou atenção foram os sentimentos que os personagens vão sentindo ao longo do livro, o autor explora isso de uma forma incrível. Eu me via triste junto com um personagem, ora perdida, ora com a tal da dor da incompletude. Ele consegue inserir nas palavras uma força que te atinge. Foi inevitável pensar sobre meus sentimentos, e principalmente, me colocar no lugar daqueles personagens que estavam vivendo uma situação tão complicada. Vale a pena lembrar da mãe religiosa do Johnny, é uma personagem irritante - coitada - e necessária, ela foi responsável por me fazer refletir sobre a nossa sociedade diante de assuntos como religião. Foi incrível. 

Às vezes sentia uma vaga espécie de for nas entranhas, uma dor da incompletude, como achava que as escritoras às vezes chamavam. Para resolver isso, ela recorria a um banho frio ou uma ducha. As duchas logo se tornavam dolorosas, o que lhe dava um tipo de satisfação amarga, ausente."

Na minha experiência de leitura existiram alguns momentos em que percebi que a narrativa mudava um pouco seu ritmo, ia parando aos poucos e de repente acelerava. Isso não prejudicou a história e meu envolvimento com ela, no entanto, em alguns momentos mais lentos o meu ritmo de leitura também desacelerava, se tornava lento e isso me dava uma leve angústia. Eu queria tanto saber o que iria acontecer! Claro que isso pode ser um enorme ponto positivo para o autor, ele quer jogar com o leitor, no entanto, mesmo as partes que achei mais lentas eram interessantes e não me cansou. 

Sei que esse texto pode ter ficado meio estranho e sem sentido, principalmente por que não quis revelar muita coisa da premissa, mas realmente acho legal se jogar nessa história no escuro, sem saber muita coisa. Portanto, fica minha recomendação de uma história cheia de mistérios, coisas inexplicáveis, crimes bizarros, temas interessantes e um personagem incrível, apaixonante, maravilhoso. O Johnny é meu novo e eterno crush literário - nunca achei que diria algo assim, mas aconteceu. 


                                                                                                                                                     Rita Zerbinatti25 anos, criadora do blog e canal Cheirando Livros, professora, apaixonada por Ficção Científica, dias chuvosos, séries de TV e café. Quer saber mais?Clique aqui.


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