AS ÁGUAS VIVAS NÃO SABEM DE SI - ALINE VALEK


Não sei ao certo como começar a escrever sobre esse livro. Certamente foi uma das leituras que mais me chamou atenção e mais me impactou nesse ano, talvez ouse dizer, nessa vida. Quero compartilhar com vocês o motivo desse encanto todo, espero fazer jus à essa obra e aos meus próprios sentimentos com relação à ela. 

Conheci a autora através do Twitter, sempre gostei de acompanhar as postagens dela por lá e algum dia, não lembro exatamente, acabei comprando seu livro As águas-vivas não sabem de si como quem não quer nada, porém já encantada com o título e a capa. Sim, sou dessas que já ama o livro pelo seu título e pela capa. Ele ficou um tempinho aqui na minha estante e li agora no Especial Ficção Científica, na verdade, eu estava buscando títulos de ficção científica escrito por mulheres e infelizmente só encontrei dois aqui na minha estante: O conto da aia e As águas-vivas não sabem de si, foram duas leituras incríveis, mas com certeza preciso de mais livros Sci-fi escrito por mulheres, deixem indicações.

Voltando a falar da Aline Valek: além de escritora ela também é ilustradora, e - agora posso falar porque já li o livro - ambos os trabalhos dela são incríveis. Eu peço, do fundo do coração que você acesse o site dela e dê uma olhada, leia os livros dela, compre na lojinha, colabore com ela de alguma forma pois a Aline é uma artista independente, no entanto, ela depende de nós leitores para continuar com seu trabalho. E além desse livro maravilhoso que já li, ela tem mais dois e-books na Amazon (claro que já está no meu Kindle e quero lê-los agora): Pequenas Tiranias e Hipersônia Crônica

Chegou a hora de comentar sobre a minha experiência de leitura e continuo sem saber ao certo como falar desse livro. Que tal começar pelo começo, Rita? Ótima ideia: a história que a Aline nos conta é sobre uma missão para o fundo do mar, com uma equipe de cinco pessoas que tem como objetivo testar um novo traje de mergulho. Eles ficam isolados lá nas profundezas dentro de uma estação chamada Auria, essa estação é pequena, portanto, além das pessoas estarem presas no fundo do mar, elas estão também em um ambiente pequeno, claustrofóbico e agoniante. Isso é muito interessante pois, enquanto os personagens estavam dentro da estação eu sentia uma ansiedade, uma agonia. uma aflição e quando eles saiam para a missão nas profundezas do mar, eu sentia um alivio imediato, seguido por uma sensação de que algo vai dar muito errado lá fora. 

Além disso, é preciso comentar sobre a personagem principal, Corina. Acompanhamos todos os 5 personagens envolvidos na missão, mas ela ganha destaque. É uma personagem perdida e melancólica, solitária e meio distante mas que vai te cativando e te chamando atenção aos poucos, logo, sem nem perceber você já quer estar ali ao lado dela para ajudá-la de alguma forma. É interessante como a autora vai nos apresentando a essa personagem, pois a Corina é bem introspectiva. Os outros personagens também são interessantes e bem desenvolvidos na história, o Dr. Martin, por exemplo, também despertou minha atenção. Ele era o líder da expedição, cheio de ideias malucas e obcecado pelo mar, especialmente pela ideia de existir vida inteligente lá embaixo. Isso tudo me fez pensar num cenário que nunca havia imaginado antes, me despertou o interesse pelo oceano, me encantou.

Outro ponto interessante para comentar é a ambientação dessa história, que é linda, intensa e ao mesmo tempo, sensível. Fiquei encantada e assustada, senti a agonia que é estar dentro de uma estação no fundo do mar, senti uma tristeza esquisita e acima de tudo, senti o drama pessoal de cada personagem. Você consegue estabelecer uma ligação com todos eles e entender as atitudes que tomam. É incrível. E o mais incrível de tudo é a autora ter feito do mar um personagem. Ao longo dos capítulos você acompanha a missão, acompanha os problemas dos personagens, suas lutas e dificuldades com a vida lá embaixo e com a vida na superfície, e como se não bastasse acompanhamos também o que está ali nas profundezas. Tudo isso foi tão incrível, tão encantador. O capítulo sobre as águas-vivas me arrebatou.

Nem preciso dizer que com o desenvolver da história as coisas mudam, muita coisa acontece e é aquele tipo de livro que vai prender sua atenção do começo ao fim. É também do tipo que vai trazer a tona pensamentos inquietantes, vai te fazer pensar na vida e nas suas atitudes, especialmente porque para a Corina, por exemplo, estar ali nas profundezas do oceano e mergulhar é um escape, é o jeito dela de fugir. Todos temos nossos jeitos de fugir.

Essa leitura é mais que recomendada, por favor, leia. Conhecer autores nacionais fazendo esse trabalho incrível é lindo, vale a pena acompanhar bem de pertinho a Aline Valek. Deixo aqui um vídeo da autora lendo meu trecho favorito do livro. 










Rita Zerbinatti25 anos, criadora do blog e canal Cheirando Livros, professora, apaixonada por Ficção Científica, dias chuvosos, séries de TV e café. Quer saber mais?Clique aqui.

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