RELENDO: A MÃO ESQUERDA DA ESCURIDÃO - URSULA K. LE GUIN

Quando preguntei pra Ri o que ela sugeria para eu ler nesse mês da FC, na hora ela me entregou o livro A Mão Esquerda da Escuridão, da Ursula Le Guin. Vai dar uma olhada aqui no que ela achou desse livro fascinante e fora do comum. 

Sabe aquelas músicas, que começam baixinho e devagar vai crescendo, com cada nota, pausa, variação e chega aquele momento que se eleva? Te leva mais além do que você imaginava? A princípio, foi muito difícil entrar nesse mundo da Ursula, mas aos poucos, conforme ela foi descrevendo, com cada palavra, eu pude imaginar melhor . Seguindo os passos do J.R. Tolkien, ela criou um mundo com sua própria geografia, pessoas e idiomas. 

Do planeta Ekumen, Ai Genly é enviado, sozinho, para o planeta de gelo Gethen ou Inverno. Ai é considerado muito estranho e até pervertido, para os Gethenianos, já que ele é muito mais alto e mais escuro do que eles. Mas o mais peculiar é que ele é homem, num planeta onde os habitantes são os dois: homem e mulher em um só corpo. 

Ai descobre nesse planeta, que há dois estados a ponto de entrar em guerra: Karhide e Orgoreyn. E olha só, até esse momento não existia guerra! E a chegada dele parece afetar o equilíbrio de poder entre esses dois estados. 


O narrador vai mudando conforme os capítulos. Vemos a perspectiva do Ai, do Estravan, o primeiro ministro que foi exilado e também aprendemos um pouco da cultura do planeta. Lemos sobre as lendas, sobre o kemmer, e sobre o sexo. 

Apesar do sexo ser a parte mais interessante desse livro, especialmente quando vemos como o Ai tentar descrever as pessoas, me perguntei: você tentaria descrever as pessoas, sem usar o sexo?  Mas, o que mais me chamou atenção é que apesar do que eles consideram uma evolução no ser humano, erradicar o problema do sexo e como consequência ter uma sociedade igual, ainda tem a questão das classes e o orgulho. O medo e preocupação com o poder. Há todo uma politica para lidar com os governantes que o Ai não consegue identificar, apesar de ter o dom da observação e intuição. Ele não consegue ver quem são seus aliados e quem são os seus inimigos. E sem falar no shifgrethor, a ideia do orgulho, o relacionamento que você tem com as pessoas, a cortesia e a formalidade, tudo em um.

O livro me surpreendeu, teve momentos que eu quebrava a cabeça, porque não entendia as palavras Gethenianas. Uma viagem total. Descobri que a Ursula já escreveu outros livros e neles, colocava mais detalhes sobre esse universo que ela criou. Com certeza, vou querer ler esses livros. Talvez algumas coisas fiquem mais claras.
Mas quando cheguei no final, não esperava sentir uma certa saudade desse lugar. Esse mundo hostil, duro de gelo, mas com humanos capazes de ter uma generosidade incrível com estranhos. Podemos aprender dos Gethenianos a não olhar as aparências e buscar a essência das pessoas. 

Vou deixar pra vocês, um mini glossário, desse universo da Ursula Le Guin, para aqueles que forem ler não quebrarem tanto a cabeça como eu:

dothe: um pequeno período de suprema energia e força, que os Gethenianos entram quando querem.
Ekumen: as ligas dos planetas. 3000 nações em 83 planetas.
gichy-michy: comida de alta energia e baixa densidade
Handdara: seita mistica e religião do estado de Karhide (modelado no Taoismo chinês)
Hes-kyorremy: conselho interno de Karhide
Karhide: estado no Gethen, governado pelo Rei Argaven 
kemmer: um curto, cíclico período de atividade sexual
jurar kemmer: equivalente ao casamento, juramento e compromisso para sempre
nusuth: não importa
kyorremy: posição no parlamento, primeiro ministro
shifgrethor: relacionamento de orgulho entre indivíduos




27 anos. fotógrafa. cidadã do mundo. amante de viagens, café e bolo. Um pouco viciada com as séries! muitas vezes sou confundida com indiana.

Me acompanhe por aí: 


2 comentários:

  1. Já te disse que escreve super bem e escreve mesmo. Que domínio! <3 Adorei a resenha! Tô doido atrás dele faz um tempo, mas ele nunca abaixa o preço. E pelo que me parece a revisão não está lá essas coisas. Mas enfim, espero que a Aleph faça uma reedição.

    Obs: me falaram que tinha várias palavras difíceis mesmo, foi até bom você ter colocado os significados na resenha. Vai ajudar bastante! haha.

    Abraços! <3

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    1. Hahaha, obrigada Lucas! Espero que você consiga achar ele, mas sim, seria top se eles fizerem uma reedição!

      Abraços!

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