O HOMEM DO CASTELO ALTO - PHILLIP K. DICK

Como temos visto esse mês, a Ficção Cientifica (FC) é um gênero amplo. A Rita comentou no vídeo dela desse mês que muitas vezes associamos FC com ataques alienígenas, guerra dos mundos e por ai vai. Muitos ainda tem essa mesma noção, mas autores como Philip K. Dick (PKD) realmente começaram a redefinir esse pensamento.

O Homem do Castelo Alto, explora uma realidade alternativa, onde a Alemanha e o Japão ganharam a Segunda Guerra Mundial. A historia começa 17 anos depois da guerra e o mundo tem se adaptado aos novos superpoderes. O Mediterrâneo foi drenado, a população da Africa foi eliminada e os Estados Unidos da América divididos entre os nazis e japoneses.Os poucos negros que sobreviveram são escravos. Nem todos os judeus foram eliminados, se encontram escondidos, mudando a fisionomia e nome para não serem eliminados.
Como vocês estão em história? O Presidente Roosevelt foi assassinado em 1933, sendo substituído por seu vice, John Nance Garner e, depois, por John W. Bricker. O problema que ocorreu foi que nenhum desses presidentes conseguiram sair da Grande Depressão. Consequentemente, fazendo que os EUA se tornasse isolacionista, e evitando que eles enviassem tropas para ajudar os Aliados. Nesse mundo do PKD, a guerra começa em 1941. Começando por União Soviética, os outros países foram conquistados, mediante a força militar combinada dos alemãs e japoneses. 
O domínio mundial foi compartilhado por esses dois poderes, dividindo os EUA, com uma faixa neutra entre os dois impérios. Apesar de ter ganhado a guerra, existe uma forte tensão entre esses poderes, começa uma guerra fria, que lembra a Guerra Fria que EUA e Russia tiveram depois da guerra. Curiosamente, vemos que teve um avanço tecnológico: viagens aéreas em foguetes e a colonização da Lua e outros lugares do sistema solar. Mas como contra-ponto, a televisão foi deixada a para trás, tendo poucos programas e pouco desenvolvimento.
Nesse contexto, bem elaborada, seguimos a vida de diferentes personagens. Cada um com uma etnia diferente e de alguma forma existe uma paralelo entre eles. Percebemos que todos tem se adaptado ao novo regime. Não tem sussurro de revolução contra o sistema, que talvez, de certa forma esperamos. Muitos aceitam a sociedade em que elas se encontram. 

Os personagens, na minha opiniāo, sāo superficiais e distantes. Nāo consegui me envolver completamente nas histórias deles. O PKD fez uma narrativa gradual, tomando seu tempo, querendo nos mostrar esse universo alternativo. Apesar de nāo conseguir sentir simpatia pelos personagens, eu não pude evitar de perceber a genialidade do PKD. Ele cria um universo dentro do outro. Vemos isso quando ele coloca na história um livro proibido pelos nazistas, que conta a vitória dos Aliados. Uma "ficção" escrita por um misterioso americano que mora em um castelo alto.

Partindo desse premissa, os personagens começam a questionar o que é real. Realmente, em vários momentos, eu me questionava o mesmo. Percebi através dessa leitura, por pouco não fomos dominados pelos nazistas. O PKD mudou algumas coisas da história, e eu acredito, que se não fosse por elementos decisivos na história, estaríamos vivendo em um mundo diferente. Creio que isso que o PKD mostra no seu livro. A realidade que conhecemos pode ser facilmente trocada por outra, pelas decisōes que fazemos.

Acho também que por isso senti certa distância com os personagens, por que eu não queria acreditar  que esse universo paralelo poderia ser real. Tenho certeza que até nisso o PKD criou de propósito. 

 E vocês? Teve algum momento que se perguntaram, "o que é real?"


 27 anos. fotógrafa. cidadã do mundo. amante de viagens, café e bolo. Um pouco viciada com as séries! muitas vezes sou confundida com indiana.

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