AS CAVERNAS DE AÇO - ISAAC ASIMOV


Que saudade que eu estava do Asimov. Ler o que o bom doutor escreveu é sempre algo empolgante, divertido e que me coloca pra pensar em várias coisas interessantes. Só isso já é o suficiente pra gostar bastante dele, não é mesmo? Hoje venho comentar um pouco sobre As Cavernas de Aço, livro publicado pela primeira vez em 1953 e que aborda um tema tão adorado pelo autor: robôs. Eu particularmente também adoro histórias de inteligências artificiais, é um dos meus temas favoritos na Ficção Científica 

Mas vamos ao que interessa: em As Cavernas de Aço temos uma história policial, ou seja, assassinatos, investigações, reviravoltas, acusações e robôs. Eu achei tão genial a forma como a história nos foi contada e os detalhes que eram exibidos aos poucos sobre aquela sociedade me fascinaram. Pra início de conversa, deixamos de habitar a Terra dessa maneira que habitamos há milhares de anos, agora vivemos apenas nas cavernas de aço. Espaços gigantes - sem janelas, não é mais necessário isso - e com muitos e mutos andares. 

As pessoas já não vivem no chão, não saem pra fora de suas casas - que mal podemos chamar de casas, pois existe o problema da hiper população, muita gente e pouco espaço, sendo assim, se tem direito a um quarto e olhe lá - e levam uma vida cinza, sem graça, melancólica. Infelizmente, não se tem mais contato com a natureza e logo no começo já teve uma cena que me chamou atenção, os personagens estão admirando a chuva e pensando há quanto tempo que não viam isso. Coisa rara. 

TÁ, MAS E OS ROBÔS?

O mundo construído aqui é complexo e delicioso, uma das coisas mais interessantes, sem dúvidas, são os robôs. Além de serem interessantes por si próprios, ainda tem a questão política e social pois os humanos não querem ter robôs por perto, não gostam deles. Isso é incrível, é real. A maioria das pessoas hoje em dia se sentem assim, tem medo de pensar em um robô humanoide e no entanto, vivem cercadas por outros tipos de inteligências artificiais, como o celular e o computador. Acham super divertido falar com a Siri, por exemplo.

E ainda assim, a ideia de um robô com forma humana é bastante assustadora. Eu achei uma sacada muito interessante do autor explorar isso dessa maneira, fazendo esse paralelo tão real. Isso mostra que, mesmo depois de tantos anos, a obra do Asimov ainda dialoga muito com a nossa sociedade de hoje. Enfim, vamos à sinopse do livro, que só agora me dei conta que ainda não comentei.

O personagem Elijah se vê em uma situação horrível no trabalho: ele é um detetive que ocupa um cargo baixo e ruim, porém fica responsável por investigar um grande caso, um assassinato que ocorreu na Vila Sideral. Aliás, essa Vila Sideral também foi algo que me chamou MUITA atenção e fiquei encantada mas não foi bem desenvolvida e explorada, certamente ficou tudo no próximo volume - outra coisa que esqueci de mencionar, esse livro faz parte de uma série. 

Enfim, o Elijah fica responsável por esse caso e vai precisar trabalhar ao lado de um robô, o Daneel -pausa para aplaudir esse personagem, ele é incrível - porém nenhum terráqueo gosta de robôs, não aceitam que existem máquinas que podem fazer o trabalho do homem, e lá vai o Daneel ser obrigado a trabalhar com o robozinho legal. O mais interessante nisso é que acaba se construindo aí uma certa amizade, um sentimento entre os dois. Ou melhor, o sentimento vem da parte de um só pois o outro é uma máquina, mas vocês entenderam o que eu quis dizer. 

QUANDO OS ROBÔS TOMAM NOSSO LUGAR

Esse pensamento, esse medo da humanidade de que os robôs tomem nossos lugares em tudo e se tornem tão completos que poderiam vir a acabar com a raça humana é incrível, e de certa forma, faz sentido. Eu também tenho esse medo, apesar de também ter um fascínio enorme, pois nos dias de hoje somos absolutamente dependentes de máquinas e certamente chegará o dia que teremos acesso a um robô muito parecido conosco que cumprirá muitas tarefas que hoje cumprimos. Isso é um pouco perturbador, já pensou virar um Matrix? Ou será que já virou?

Esse tema é sempre muito interessante, fico viajando, perdida, imaginando como seria esse futuro... como lidaríamos com o fato de ter robôs lavando nossa louça, arrumando nosso armário, passando nossa roupa. Confesso que a ideia de uma máquina eficiente para fazer as tarefas domésticas é bem atraente, no entanto, também é estranha de se imaginar. 

Já escrevi muito e estou começando a viajar mais que o normal - e também já estou com sono - se você está me acompanhando até aqui anota essa dica, não deixa passar. Leia As Cavernas de Aço, é divertido, envolvente, tem um mundo muito interessante e bem construído, tem uma história de investigação bacana, tem robôs. Vai lá, dê uma chance. E se você já leu me conta o que achou :)

OS OUTROS LIVRO DA SÉRIE

  • As Cavernas de Aço (The Caves of Steel, 2013)
  • O Sol Desvelado (The Naked Sun, 2014)
  • Os Robôs da Alvorada (The Robots of Dawn, 1983)
  • Robots and Empire (1985)



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