OS MENINOS DA RUA PAULO - FERENC MOLNÁR


Algumas vezes nos deparamos com histórias que nos tocam tão profundamente que a experiência de leitura e a convivência com os personagens se tornam inesquecíveis. É difícil acontecer esse tipo de conexão com a história, nem sempre lemos um livro que nos deixa encantada e apaixonada de forma tão singela e profunda. Os Meninos da Rua Paulo, escrito pelo húngaro Ferenc Molnár e publicado com 1906, traz uma história que apresenta traços autobiográficos - ao menos é o que alguns acreditam - e se desenvolve de uma forma espetacular. Vejamos algumas palavras para definir minha experiência com esse livro: emocionante, íntegra, inesquecível e deliciosa. 

Temos aqui uma história tão simples e tão cheia de significados: um grupo de meninos acaba disputando seu terreno com outro grupo de meninos. O primeiro grupo são os meninos da Rua Paulo, que criaram a Sociedade do Betume e se encontram nesse terreno baldio para brincar depois da aula. Eles tem uma espécie de hierarquia nessa sociedade, sendo assim, temos um líder, o Boka, e temos o soldado raso que é o cargo mais baixo dentro da sociedade. Quem ocupa esse cargo é o Nemecsek e os outros meninos, e todos possuem um cargo mais alto que o dele, acabam sempre tratando-o como se ele não valesse nada. 

Até que um dia toda a brincadeira acaba e começa uma guerra, uma grande disputa entre os meninos da Rua Paulo e os meninos de outra rua, o vencedor ficará com o terreno. Mesmo com essa premissa simples, acompanhar esses personagens e viver as aventuras e desavenças com eles é algo incrível. Impossível de largar. Uma delícia perceber a fidelidade entre esse grupo de amigos, a história de superação, a honra e a sinceridade que um cativa no outro. Dá vontade de fazer parte desse grupo, de ser amiga dessas crianças ou poder dar uma abraço neles. O livro também tem esse peso de valores, traz ensinamentos e nos faz parar para refletir sobre nossas atitudes para com os outros. Queria muito ter lido isso quando era mais nova, se ele fez essa marca agora que sou adulta, se lesse quando criança acredito que poderia ter sido ainda mais marcante.

Uma das coisas mais marcantes que esse livro me trouxe foi um gostinho de nostalgia, lembranças apagadas da infância, de brincadeiras e de grupos de amigos que, nessa fase, nos identificamos tanto ao brincar mas depois, quando crescemos, acaba a amizade. Coisas de crianças. Me relembrou o valor da amizade e da sinceridade, que andam meio em falta nos dias atuais. Hoje em dia tudo me parece tão... artificial. Estamos muito ocupados com nossas tarefas cotidianas que muitas vezes nos esquecemos daquele amigo, mal damos atenção, um áudio no WhatsApp deve bastar. Muitas vezes ouço dos meus alunos frases do tipo: "eu não um amigo de verdade, esses aí são tudo 'falsiane'" ou "eu não confio em ninguém daqui da escola" e isso nos mostra o quanto os jovens estão submersos em relacionamentos vazios e de certa forma, eles mesmos reconhecem. Claro que não estou generalizando, mas não foi uma, nem duas, nem três vezes que ouvi esses comentários, sempre com um tom de tristeza e olhar baixo.

Perceberam que esse livro deu o que falar, não é?! E até agora ainda não ouvi ninguém dizer que não gostou desse livro. Acredito que sua narrativa fluida e interessante, seus personagens extremamente cativantes e sua história emocionante e envolvente vai conquistar qualquer pessoa, de qualquer idade. Apesar de se tratar de um grupo de crianças e suas aventuras, é uma história que carrega muito mais que isso. Eu fiquei morrendo de vontade de ler esse livro junto com meus alunos, talvez até faça um projeto com eles no futuro. Ao meu ver, é uma leitura necessária, inesquecível e muito especial. 





Um comentário:

  1. Ritinha linda, deu até vontade de ler de novo. Li recentemente um livro chamado "Os meninos da biblioteca", onde o personagem principal consegue conversar com o personagem Boka. Um livro muito bom, da editora Biruta... Fala um pouco sobre política, sobre a primeira luta pelos direitos. Indico também!
    Beijinhos!

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