REPETECO - BRYAN LEE O'MALLEY


Já faz tempo que vejo esse quadrinho ser adorado mundo à fora e não via a hora de pôr minhas mãozinhas nessa belezura. Graças a Companhia das Letras, ele chegou! Repeteco, escrito - e ilustrado - pelo brilhante Bryan Lee O'Malley, o cara do Scott Pilgrim que a gente ama, traz nessa nova história um charme único e mais um vez nos mostra os tantos obstáculos dessa geração dos vinte e poucos anos que está meio perdida na galáxia.

E aproveitando que já falei nisso, a nossa personagem - Katie, 29 anos - trabalha no restaurante Repeteco e é uma excelente chefe de cozinha, mas seu maior sonho é ter um restaurante só dela, um lugar todo dela. No entanto, está tudo muito difícil: o lugar que ela quer comprar para ser seu novo restaurante está horrível - e caro - sua vida amorosa está horrível, ela não tem amigos e pra melhorar, mora no restaurante onde trabalha. Um quartinho nos fundos.

Ou seja, a vida não está fácil não. Porém, um belo dia Katie encontra o "espiríto da casa" e essa entidade mágica acaba lhe mostrando como consertar alguns erros do passado. Opa, alguém falou em consertar erros?! Tô dentro! Mas nada é tão simples assim e Katie fica viciada em arrumar seus erros... claro que isso só piorou a sua horrível situação. Sua vida vira um caos total. 

Isso nos traz aquela velha história sobre escolhas. Eu sei que soa clichê, mas temos que aceitar que tudo é uma questão de escolhas e assim que fazemos algo temos em mente que pode dar certo ou não. Isso também traz aquele velho medo: "mas se seu mudar de faculdade agora e não gostar de novo vai ser horrível", "não quero largar meu emprego agora por que e se não der certo depois?". Com isso, acabamos sempre na mesma. Sempre fodidos - perdoem o linguajar, mas tenho meus 20 e poucos e estou nesse barco, meu amigo. 

Achei sensível e interessante a forma como o autor nos apresenta essas pequenas crises - que na verdade podem ocorrer em qualquer idade - e me identifiquei muito com a Katie em vários aspectos. Fiquei pensando o que eu consertaria se pudesse mudar algo no passado e como isso iria afetar meu futuro. Cheguei à conclusão de que não mudaria nada, apesar de toda a dificuldade dos tenho-20-e-poucos-e-não-sei-o-que-fazer-da-minha-vida estou orgulhosa de estar onde estou e de ser quem sou. Isso é um começo... eu acho.







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