O ESPELHO DE CASSANDRA - BERNARD WERBER


Sabe quando cismamos com um livro? Sabe quando temos a sensação de que se não comprarmos aquele livro, se aquele livro não fizer parte da nossa estante para ser a próxima leitura, teremos um treco? Eu sinceramente achei que teria um treco se não comprasse esse livro. Aconteceu que eu comprei e deixei ele na estante por mais de um ano, sempre desejando ler mas nunca indo lá pegá-lo. Foi só o calor do momento. Até que achei que seria um ótimo livro pra ler nas férias, já que ele tem um aspecto frio e nublado, assim como o tempo aqui em sp durante o mês de julho. Sou dessas que gosta de combinar o livro com a estação, vai entender.

E finalmente realizei essa leitura, indo aos poucos, tentando degustar, tentando fazer qualquer coisa para gostar da história. No entanto, não aconteceu. Ao menos, não completamente. Posso dizer que teve coisas que achei interessante durante a narrativa, mas o livro como um todo não me atraiu muito. Mas vamos com calma, vou contar um pouco da história: Cassandra, uma adolescente que vive num colégio interno, começa a perceber que consegue prever o futuro. Na verdade, não é assim tão amplo, ela consegue prever apenas atentados terroristas. 

Outra coisa estranha sobre a personagem enigmática, que algumas vezes consegue te cativar e outras vezes não, ela não lembra nada do passado dela além do fato de ter presenciado a morte dos pais. Com todo esse mistério no ar, ela foge do colégio estranho e começa a viver nas ruas, vive como mendiga até chegar no lixão, também conhecido como Redenção.  Um lugar onde outros mendigos vivem, uma fortaleza, um refúgio para aqueles que não querem nem ouvir falar em burgueses. 

Nesse lugar, ela começa a se relacionar com esses outros personagens mendigos, que ganham muita importância na narrativa e na resolução dos problemas. E é durante essa sua estadia na Redenção que comecei a perceber que não estava gostando quase nada desse livro. Por outro lado, esse lugar, os personagens e as situações pelas quais viviam me causavam efeitos físicos. Fiquei enjoada e muito incomodada com uma cena envolvendo ratos. E cenas bizarras é o que não falta! 

Portanto, fico um pouco presa nesse conflito: por um lado acho legal o livro ter me causado reações físicas (apesar de achar difícil alguém ficar indiferente à certas cenas descritas nessa história), por outro lado os personagens não me agradaram e a narrativa não tem nada de especial. Não sei se é por que estou acostumada às narrativas cativantes, poéticas, intensas, algumas peculiares, mas essa... foi sem graça. Imaginei um robô escrevendo a história. Sem emoção, sem poesia, sem sentimento. Outro lado negativo: o livro tem mais de 500 páginas, e durante a maior parte delas nada de extraordinário acontece. Não quero dizer que o ordinário seja ruim, inclusive adoro histórias relatando coisas ordinárias, mas nesse caso, estava apenas chato. 

No entanto, não foi de todo tão ruim, caso contrário não teria conseguido chegar ao final - apesar de que estava forçando um pouco sim. A história teve um desfecho interessante, e traz muitas referências literárias e principalmente, se refere bastante à mitologia grega, coisa que achei incrível. Fiquei morrendo de vontade de conhecer mais da mitologia grega a partir do que foi comentado nesse livro. 

Enfim, essa foi um experiência de leitura um pouco frustrante mas é claro que é minha opinião, minha experiência. Não quer dizer que o livro é horrível e não deve ser lido, pelo contrário, deve ser lido e deve ser discutido. Opiniões divergem por isso, enquanto na minha experiência essa leitura não foi tão boa, na sua pode ser incrível. Então, se tem vontade de ler, leia e não se esqueça de me contar o que achou.  



Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.