A MÃO ESQUERDA DA ESCURIDÃO - URSULA K. LE GUIN


As vezes nos deparamos com livros totalmente fora do comum, que nos fazem viajar para muito longe, nos levam para um futuro distante e surpreendente, nos fazem pensar na vida e na sociedade em que vivemos. Na minha opinião, esses são os melhores livros. Quando percebo que estou com algo assim em mãos, chega a ser emocionante. E "A Mão Esquerda da Escuridão" foi esse tipo de livro, uma preciosidade. Já deu pra perceber que gostei muito né, e é sempre difícil falar ou escrever de livros que gostamos muito.

Devo começar pela introdução, que li e reli. Sem sombra de dúvidas virei a ler novamente em algum futuro muito próximo. A autora, Úrsula, muito premiada e prestigiada no meio da Ficção Científica, escreveu uma das introduções mais marcantes da minha vida. Ela escreve sobre a Ficção Científica em si, como as pessoas a enxergam e o que esperam desse tipo de livro. É profundo. E ela escreve com tanta paixão que é impossível não se identificar ou se contagiar. Aqui vai alguns trechos:

"E quando terminamos, podemos descobrir - se o romance for bom - que estamos um pouco diferentes do que éramos antes da leitura; que fomos, de alguma forma, transformados, como se tivéssemos conhecido um rosto novo ou atravessado uma rua que nunca atravessaríamos antes. Mas é muito difícil dizer exatamente o que aprendemos, como fomos transformados."

"Na verdade, quando lemos um romance, ficamos loucos - malucos. Acreditamos na existência de pessoas que não existem, ouvimos suas vozes, assistimos à Batalha de Borondino junto com elas, podemos até nos tornar Napoleão. A sanidade retorna (quase sempre) quando se fecha o livro. "
Deu pra sentir o amor? Espero que sim. Agora vamos conversar um pouco sobre a história desse maravilhoso livro: estamos em um futuro distante onde os humanos já colonizaram outros planetas. Com isso, busca-se novos planetas habitados para criar laços comerciais, políticos, etc. Ou seja, pretende-se formar um tipo de comunidade intergaláctica. Sendo assim, o Genly Ai é enviado ao planeta que chamam de Inverno para levar uma mensagem aos líderes desse lugar. O Genly acaba ficando nesse planeta por bastante tempo e convive com o povo de lá, os Ghetinianos.

Esse povo é muito parecido conosco, no entanto, completamente diferentes. Para começar, sua cultura nos parece medieval e misteriosa, mas a grande diferença se encontra no fato de que eles são homens e mulheres em um ser só, um indivíduo é homem e mulher ao mesmo tempo. Sua cabeça explodiu agora, né? Dá até para imaginar a sua cara de surpresa quando eu revelar que nesse mundo não existe discriminação. Difícil de imaginar, não é mesmo?! A partir disso já dá para tirar muito pano dessa manga!

E a história vai se desenvolvendo em um ritmo absolutamente agradável, contagiante e intrigante. Vamos acompanhando a história desse terráqueo em um caminho frio e desconhecido, com muitas intrigas políticas, amizades e questionamentos mega, tipo, super mega hiper importantes de serem discutidos!

Eu já me apaixonei pela narrativa logo de cara. Foi amor no primeiro parágrafo. A forma como os personagens se desenvolvem me atraiu muito, sem contar que a autora utiliza formatos diferentes para cada capítulo: há capítulos do ponto de vista do Genly Ai (o terráqueo), há capítulos do ponto de vista de um Ghetiniano, há capítulos do ponto de vista de especialistas que estudaram esse povo e ainda há capítulos que nos contam lendas locais. Isso tudo deixa a história muito rica, e eu me senti completamente imersa nessa mundo. A realidade das descrições me fez acreditar que Ghethen e os Ghethinianos existem de fato. Não quero ficar aqui escrevendo eternamente sobre esse livro (na verdade eu quero, mas né), acredito que com isso já dá um gostinho do que é essa obra. 


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