LIVRE - CHERYL STRAYED


Sabe aquele tipo de livro que é delicado e ao mesmo tempo bruto? Sabe aqueles parágrafos que são tão emocionantes que não conseguimos ler direito por que as lágrimas não deixam? Sabe aquela personagem (nesse caso é a própria autora) tão forte e ao mesmo tempo tão humana, tão comum, tão nós mesmos, que nos apaixona e enraivece tudo no mesma página? Pois é, estou falando de Livre, da Chreryl Strayed. 

Aqui temos a história da autora, que passou por uns mal bocados. Ela perdeu a mãe quando tinha 22 anos, se divorciou logo em seguida e acabou se envolvendo com drogas. É aquela famosa fase de merda que a vida nos oferece vez ou outra. No caso dela, a depressão estava machucando demais. Ela se chamava de "a mulher com um buraco no peito". E como qualquer um de nós, ela tentou sair dessa situação que só a levava cada vez mais para baixo. E como ela fez isso? Simples: ela resolveu (de um dia pro outro, praticamente) que iria fazer a Pacific Crest Trial, é uma trilha com mais de 1.770 quilômetros. 

Sim, uma loucura. E ela vai caminhando sozinha por todos esses quilômetros, vivendo uma experiência de auto-conhecimento e aceitação. Conforme nos conta suas dificuldades e prazeres nessa imensa trilha, intercala com histórias da sua família e de si própria. Vamos entendendo seu sofrimento, compreendendo que cada um reage de um jeito aos socos no estomago que a vida dá. E a narrativa que ela constrói é tão simples, tão crua e sincera que me pareceu muito pessoal, muito intimo. A autora realmente se colocou ali naquele texto, mostrou tudo que tinha. E isso tornou a experiência de leitura ainda mais bonita. 

Deve se dar uma chance ao Livre, ou duas, ou três. Ou quantas quiser. Com ele aprendi que temos que dar muitas chances a nós mesmos e aos outros. E por mais clichê de auto ajuda que isso possa soar, não vou deixar de dizer (ou escrever, né): toda experiência pela qual passamos, por mais forte que foi o soco no estomago que a vida deu, tudo isso nos ajuda, nos leva a algum lugar, nos faz crescer. Mesmo que demore uns bons anos para nos darmos conta disso. 


4 comentários:

  1. Pela resenha o livro parece ser interessante, eu gosto desse tipo de livro, alias gosto desse tipo de temática, biografia misturado a aventura, eu vi um documentário esse final de semana no Netflix sobre Um jornalista (Guilherme Cavallari), que percorre a patagônia e a terra do fogo em uma viagem de auto-descoberta, tem um livro também, ele é brasileiro e a história é incrível.

    Vou colocar esse livro na Cheryl na minha lista..

    http://52semanasemlivros.blogspot.com.br/

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    1. Olá, Rodrigo! Obrigada pela dica, já vou procurar esse documentário agora! :D
      Esse livro da Cheryl é muito bom, vale a pena!
      Abraços!

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  2. Rita linda!
    "compreendendo que cada um reage de um jeito aos socos no estomago que a vida dá"... tenho pensado muito nisso! Isso serve muito para aprendermos a não julgar as pessoas... já vivi algumas situações em que ficava me perguntando o porquê de tal pessoa agir de tal maneira. E é sempre bom lembrar dessa frase: que cada um age de uma maneira.
    Morrendo de vontade de ler!!!
    Beijinhos <3

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    1. Dani, querida!!! Verdade, esse livro foi uma experiência e tanto nesse sentido, temos esse costume de julgar as atitudes das pessoas, mas não somos essas pessoas, e nesse caso, não faço a menor ideia de como iria reagir se tivesse passado por tudo que ela passou. Ler essa história é um ótimo exercício e lembrete de que cada um é seu próprio mundo.
      Beijos! <3

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