Anna Kariênina - Liev Tolstói

Desde quando terminei a leitura venho hesitando para escrever esse texto. Sempre acho difícil escrever sobre aquilo que adoramos, ainda mais nesse caso que além da adoração também se trata de um dos livros mais geniais e belamente escritos que já li até hoje, e não só eu tenho essa opinião mas Dostoiévksi, Nabokov e William Faulkner também. Mas vamos lá, vou tentar! É preciso lembrar também que não pretendo fazer uma análise crítica da obra, não sou especializada em literatura russa e esse foi meu primeiro contato com o autor. Venho aqui apenas compartilhar minha experiência com esse livro.

A princípio sempre tive um certo medinho dessa obra, confesso que o tamanho assustava e na minha cabeça, não sei por que, mas achava que seria uma narrativa extremamente difícil. No entanto, me apaixonei pela história quando vi pela primeira vez o filme dirigido pelo Joe Wright, em 2012.  Uma das coisas que mais me chamou atenção nesse filme além da história foi a produção, pois esse filme tem uma pegada teatral e exagerada que é maravilhosa, combina perfeitamente com a história e com o ambiente.

Depois de ter gostado da experiência do filme, me interessei mais ainda para encarar a leitura do livro, que ficou parado aqui na estante por vários meses. Resolvi que não iria terminar 2015 sem ter lido esse romance clássico.

Afinal, do que se trata Anna K? Basicamente, Tolstoi vai explorar um fato que chegou ao seu conhecimento: uma mulher casada traiu seu marido, foi rejeitada pela sociedade e acabou se suicidando. Isso chamou atenção de Tolstoi, e nesse romance ele vai explorar a ideia da traição e do preconceito da sociedade. Mas não só isso, o autor ainda vai nos mergulhar em discussões filosóficas, políticas e sociais muito profundas em uma narrativa repleta de personagens interessantes. Aliás, personagens é o que não falta, nessa história existem muitos personagens, cada um com sua importância dentro da narrativa. 

A personagem da Anna Kariênina é a mulher casada, que se apaixona por outro homem. Logo percebe que seu casamento nunca teve paixão, nunca teve amor e resolve se rebelar contra isso, resolve viver a vida como ela merece ser vivida, com paixão. No entanto, suas atitudes acarretarão uma série de consequências graves. Ela sofre muito preconceito e discriminação da sociedade e chega ao ponto de mal conseguir sair na rua. Tudo isso é muito delicado, porém o autor não perdoa, ele vai nos levando para as profundezas do desespero junto com a Anna. Eu pude entender essa personagem, pude entender algumas atitudes dela, mas na verdade eu me revoltei, briguei com ela na minha mente muitas vezes e simplesmente não entendo como ela pode fazer certas coisas. 

Por outro lado, temos o Liévin, um homem do campo que não se acostuma com a vida nas cidades grandes e movimentadas. Seus capítulos são recheados de discussões filosóficas, políticas e sociais interessantes mas que também deixa leitura um pouco mais lenta. No entanto, a história de amor de Liévin e Kitty é um belo contraste com a história de amor da Anna K. E o autor faz esse jogo genialmente, de um lado sofremos com toda a ansiedade e desespero de Anna e do outro lado, sorrimos com a felicidade sincera de Liévin. Nem preciso comentar que isso quase me enlouqueceu, né? Ora estava feliz, ora estava triste e ansiosa. 

Além disso, a narrativa é uma coisa deliciosa. Como o livro é muito grande e pesado, decidi que iria ler apenas 15 páginas por dia, e acho que fiz um bom negócio pois não me cansei em momento algum, pelo contrário, não via a hora de chegar no dia seguinte pra ler mais 15. No entanto, não lia muito mais que isso em um único dia. Com isso, minha experiência de leitura foi muito fluida ao contrário do que muita gente comenta. Já vi pessoas falando que abandonou o livro por ser muito lento, mas achei bem fluido e envolvente. É claro que cada leitor tem sua experiência, mas talvez ler poucas páginas por dia também te ajude a encarar esse calhamaço lindo. 

Enfim, como vocês já perceberam essa é uma história que vai mexer bem lá no fundo, vai bagunçar com você, vai causar incomodo e sentimentos contraditórios. Mas a narrativa é genial, os temos discutidos nos diálogos são intensos e incríveis, os personagens são desenvolvidos com maestria. É uma obra que vela a pena ser lida, com certeza causará vários questionamentos, apesar de ser uma obra do século XIX ela tem um intenso poder de abrir sua mente, de te fazer enxergar além. É uma experiência incrível mesmo. 

4 comentários:

  1. Ahh Rita, agora preciso mais ainda lê-lo! Tô tão apaixonada pela capa haha Quando o meu chegou, fiquei namorando um tempão. Acredito que logo logo irei ler... ano que vem, como vc viu no grupo, o pessoal tá planejando ler mais clássicos né... Com David Copperfield eu tô perdendo ainda mais meu medo de tijolos / clássicos rs
    Beijos!

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  2. Onde comprar este livro? Não encontrei!

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  3. Onde comprar este livro? Não encontrei!

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  4. Nossa, tenho esse livro mas ainda não li! Pretendo ler nas férias, hehe. Engraçado, que meu livro tem por nomenclatura "Ana Karênina - Leon Tolstói". E já vi outras nomenclaturas diferentes, como "Leão Tolstói", haha. Estranho, né?

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