Os Hungareses - Suzana Montoro

Para ser muito sincera escolhi esse livro pela capa e pelo título. Nunca tinha ouvido ninguém comentar sobre ele, nem mesmo nos tantos vídeos que assisto no Youtube. Mas algo dentro de mim me dizia que seria uma boa leitura. Normalmente acerto em cheio e com os Os Hungareses não foi diferente. Essa obra já ganhou o prêmio São Paulo de Literatura na categoria Estreante, portanto, pode se preparar pois coisa boa vem aí. Esse é aquele tipo de livro que é pequeno mas traz uma grande história. Uma história arrebatadora, inesquecível. Adoro essas histórias que encontram abrigo dentro do corpo e da alma. Essas leituras são tão especiais que quando chegamos ao final do livro, sentimos aquela tristeza profunda. Isso já aconteceu com você?

Os Hungareses vai nos trazer a história da Rozália, da família de Rozália, dos amigos de Rozália, dos lugares por onde Rozália passou. E no entanto, não se trata apenas da Rozália, existem muitos outros personagens que vão chamando nossa atenção ao longo da história. Quem narra tudo isso é a filha caçula da Rozália, uma contadora de histórias a quem nos afeiçoamos e confiamos. Temos em mãos o tipo de história que deixa o coração quentinho, que nos abraça, nos consola. Acredito que todos nós vamos nos identificar com alguma coisa nesse livro. 

Rozália nasceu na Hungria e viveu sua infância e juventude em uma pequena aldeia, rodeada de animais e de pessoas especiais. Ela tinha uma tia Rózsa, que vivia das andanças e que lhe ensinou muitas coisas sobre a vida e sobre as pessoas. Tinha uma madrastra ranzinza. Um irmão solitário, que não suportava ficar sozinho. Um amigo que gostava de desenhar. Tinha um pai rigoroso. Rozália vivia feliz, até o dia em que a aldeia deixou de fazer parte da Hungria e virou território Iuguslavo. Com isso, muitos Húngaros partiram de lá, inclusive a família de Rozália. Vieram morar aqui no Brasil, onde logo encontraram o sítio dos Hungareses, uma comunidade que trazia um pedaço da Hungria pra cá. Uma delícia de lugar, cheio de pessoas interessantes e acontecimentos quase ou totalmente fantásticos, e por conta disso me lembrei muitas vezes do Cem Anos de Solidão durante a leitura.  

Interessante pensar que o sítio dos Hungareses de fato existiu, a história da Rozália e de tantos outros personagens se entrelaçam nos fios da realidade e da ficção. Suzana Montoro fez uma grande pesquisa, entrevistou muitas pessoas, passou um tempo na Hungria. Tudo isso para ambientar a história, para nos fazer sentir que estamos lidando com uma cultura estrangeira e singular, pois afinal, a autora é Brasileira e não podemos negar que é um desafio escrever sobre uma cultura que não é a sua. A autora ambientou sua história com maestria, e até mesmo quando os Húngaros chegam ao Brasil, ainda nos parece que estamos no exterior, em terras desconhecidas. Tudo é muito novo e ao mesmo tempo, familiar.

Esse livro tem a capacidade de nos despertar um sentimento único. Nos identificamos com esse livro pois se trata de pessoas, de seres humanos repletos de história e sentimentos, de chegadas e partidas, indas e vindas, saudade que sentimos com o corpo e com a alma. Quem nunca perdeu alguém? Quem nunca sentiu saudade? Isso tudo é tão delicado que dá medo, temos que segurar com cuidado, não podemos deixar cair. E Suzana nos falou de tudo isso da maneira mais delicada, sincera e poética possível. É uma lindeza. 

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