O Papel de Parede Amarelo - Charlotte Perkins Gilman

O Papel de Parede Amarelo é uma história do final do século XIX, na verdade é um conto, que foi escrito como uma crítica, um "desabafo" de uma situação que a própria autora vivenciou. Ou seja, temos em mãos uma história com caráter autobiográfico. Tenho que confessar que essa pequena história, de pouquíssimas páginas, me tomou vários dias de reflexão. Apesar de curta, Charlotte vai mexer com coisas profundas, vai cutucar a ferida, vai incomodar. Mas afinal, que história é essa?

Nossa narradora é a personagem principal e aparentemente ela escreve um diário, através do que ela nos escreve vamos percebendo que algo está errado com ela. E de fato ela está em uma crise psicológica muito séria e perturbadora. Entretanto, seu marido, John, não acredita muito nessa crise mas como é um médico renomado, ele receita que ela fique descansando sem fazer nenhuma atividade física ou mental. Ela não pode escrever ou sair, nossa personagem fica trancada dentro de casa o dia inteiro. 

E ficar trancada dentro de casa o dia inteiro pode não ser bom para uma pessoa nessas condições. Nossa personagem acaba se irritando com o papel de parede amarelo que tem no quarto onde ela dorme. Essa irritação vai crescendo, se tornando uma obsessão e logo percebemos que o que achávamos que estava errado no começo está se tornando muito pior. Sua crise só piora e acompanhamos  a personagem enquanto ela perde a sanidade. Isso é coisa que incomoda, perturba. Quem nunca teve medo de perder a sanidade? 

No entanto, por que esse livro é autobiográfico? A autora passou por tal situação? Sim, infelizmente Chalotte teve uma crise psicológica séria e o médico mandou que ela ficasse apenas descansando, foi proibida de escrever ou realizar qualquer atividade. É claro que isso apenas piorou sua situação. Depois que a crise melhorou ela escreveu essa história, que eventualmente enviou ao médico e ele reconheceu que o que foi receitado realmente não iria causar nenhuma melhora. 

Além desse aspecto psicológico intenso e perturbador, o que me incomodou profundamente nesse livro foram as atitudes do John, marido da nossa personagem. Além de trancar ela em casa e proibi-la de escrever e de fazer o que ela queria, ele simplesmente não acreditava que ela estava realmente passando por aquilo, ele a desprezava nesse sentido. Como se tudo aquilo que estivesse acontecendo com ela não fosse nada. No entanto, podemos ver isso não só como uma crítica ao médico que receitou que Charlote ficasse trancada em casa, mas também como crítica à situação das mulheres. Uma mulher manipulada pelo seu marido, proibida de fazer as coisas que quer, presa em um lugar onde não deseja ficar... Isso não me parece século XIX, infelizmente a história traz esse contexto que é muito atual. 

Enfim, recomendo muitíssimo O Papel de Parede Amarelo, é uma leitura inesquecível. Um pequeno conto que vai trazer um turbilhão de reflexões e agonias. Imperdível! Se você já leu, vem trocar ideia comigo! E se ficou com interesse em ler, me conte também!

6 comentários:

  1. Fiquei muito curiosa, parece ser uma historia bem intensa.
    Vou procurar para o kindle :D

    Beijos

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    1. Procura sim! Depois me conta o que achou. É super rápido de ler, tem poucas páginas, acho que tinha umas 10 páginas no Kobo.
      Beijos! :D

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  2. Não conhecia essa história, mas fiquei muito curiosa. Com certeza vou procurar esse conto e realizar a leitura em breve. Beijos!

    http://frases-perdidas.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Gabi!
      História bem legal mesmo, acho que você vai gostar! Bem profundo!
      Beijão!

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  3. Oi Rita
    É o segundo blog que leio comentando este conto. Fiquei ainda mais curiosa. Vou procurar :)
    Adorei seu blog e mais ainda conhecê-las pessoalmente no encontro de domingo, do Bolano.
    Bjks mil

    www.blogdaclauo.com

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  4. Obrigada pela dica, graças a você entrei em contato com um conto INCRÍVEL! <3

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