A Agressividade nas Mídias Sociais

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Esse é um texto completamente diferente do que estão acostumados a encontrar por aqui mas quero trazer uma discussão diferente, praticamente um desabafo. É uma discussão que diz respeito ao meu trabalho e às mídias sociais, tal como esse blog. Primeiramente, se você ainda não conhece meu trabalho, sou professora de Arte, formada e especializada em História da Arte, pela PUC. Venho relatar uma experiência bem desagradável da qual vivenciei hoje: uma mulher (da qual não posso fazer nenhuma apresentação pois o perfil dela só contém o nome e nada mais, provavelmente é fake) deixou um comentário insultando uma pessoa que fez um vídeo. 

Mas não para por aí, além de insultar a blogueira/vlogueira, ela também insultou a mim, que fiz um comentário dizendo que gostaria de mostrar aquele vídeo aos meus alunos. Além de criticar essa minha atitude (de simplesmente querer mostrar o vídeo aos meus alunos) ela ainda deu a entender que eu simplesmente não tenho capacidade cognitiva para entender o que ela quis dizer:

"Professora, você precisa estudar mais ao invés de passar vídeos do youtube para os seus alunos. Eles não firam educados, só disseram amém. Sinto muito pelos seus alunos que estão tendo que engolir essa merda marxista, se é que vc sabe o que é isso. "

No começo, fiquei irritada, depois só queria brincar (até porque não dá pra levar a sério comentários como esse, ninguém merece!). Com isso, pedi pra ela escrever um artigo para que pudéssemos estudar suas ideias, já que ela tem tanto conhecimento a transmitir. É claro que ela enrolou, usou de artifícios ofensivos novamente, mas não enviou e duvido que vá enviar o artigo. Disse ainda que iria escrever um artigo, no entanto, como eu só estava brincando e sendo irônica, ela se sentiu ofendida e não escreverá mais. Ahã. (E sim, sou uma pessoa extremamente chata e irônica. Então, depois de me ofender e ofender o meu trabalho, não venha dizer que sou um monstro, que feri teus sentimentos com a minha ironia, me poupe.)

As pessoas comentam coisas das quais não fazem a mínima ideia. Essa mulher (ou seja lá quem for) não conhece meu trabalho, portanto, como ela pode dizer que é por atitudes como a minha que a Educação no Brasil está de mal a pior? "Rita Zerbinatti É por isso que a educação no Brasil está indo de mal a pior." Ela nem sabe do projeto pedagógico que não só eu, mas vários professores estamos envolvidos para discutir determinadas questões com os alunos. Além disso, ela me mandou estudar e parar de passar vídeo na sala de aula. Se ela é professora, então ela deve ficar dormindo nas reuniões oficiais da escola pois os superiores nos pedem parar trazer a realidade do aluno pra sala de aula, nos comunicam que devemos utilizar dos meios tecnológicos pra isso. Talvez ela não tenha percebido, mas o Youtube (vídeos em geral) são meios tecnológicos que devemos utilizar em sala de aula, com incentivo e permissão de todos os superiores. Os vídeos que eu, e muitos outros professores, passamos para os alunos não são à toa. Existe um projeto pedagógico por trás, a coordenação fica a par de tudo, os professores conversam e trocam figurinhas sobre o assunto. É um trabalho em equipe. 

Infelizmente, essa é uma atitude extremamente comum na internet: comentários agressivos, pessoas maldosas querendo praticar o mal que guardam em si, pessoas ofendendo outras de tudo quanto é jeito. O pior de tudo é quando a pessoa ainda fala que o comentário não foi ofensivo, que ela só queria ajudar fazendo uma crítica. Ou seja, posso falar o que for de você mas é só uma crítica, estou querendo te ajudar. Isso está errado! As críticas não funcionam assim. Na sociedade que vivemos hoje em dia, nós professores, temos a obrigação de discutir tais coisas com os alunos. Eu não quero ver um aluno meu fazendo o que essa Raquel fez nos comentários. Por isso, vou usá-la como exemplo, e vou explorar esse tema em sala de aula. Como ela disse, preciso formar seres pensantes, cidadãos. Pois é assim que se ensina: mostra o que está errado e orienta os educandos para que eles não venham a cometer esse erro. Nossa sociedade precisa melhorar, não dá pra ficar aguentando esses comentários. 

O problema não é divergência de opiniões. Isso é ótimo! Eu adoro quando alguém expõem uma opinião totalmente diferente da minha, pois se pararmos pra pensar naquilo que a pessoa está colocando, podemos chegar a outras conclusões. Ou seja, essa diferença de opinião faz bem, é uma troca saudável. No entanto, muitas pessoas não expõem suas opiniões mas elas também brigam e ofendem. Eu normalmente não respondo esse tipo de comentário, pois sei reconhecer quando a pessoa quer verdadeiramente ajudar ou quando ela quer somente atrapalhar, magoar. Respondi o comentário agressivo da Raquel (que ela fala que não é agressivo, muito menos ofensivo) pois ela não me ofendeu apenas como pessoa, ela me ofendeu como professora, como profissional. Sei muito bem que faço um bom trabalho e só aceito críticas de quem trabalha diretamente comigo. Com isso, a Raquel não tem direito nenhum de vir criticar meu trabalho, nem o de ninguém. Muito menos sair comentando por aí que as pessoas são mal informadas, ou julgar alguém por falar palavrão. 

Um dos argumentos dela, que diz respeito a minha metodologia de ensino é: mas como pode uma professora passar um vídeo que tem palavrões para seus alunos! Sinceramente, eu não me apego a esse tipo de convenção, entendo que existem pessoas que não gostam, no entanto, não sou hipócrita. No meu dia-a-dia eu falo palavrão e em sala de aula o que mais escuto da boca dos meus alunos são palavrões. Não é no sentido de xingar alguém, mas virou parte do vocabulário. E isso não vai me transformar em uma professora horrível, indigna. Tampouco transformará meus alunos em seres do mal, que vieram diretamente do lado negro da força. Minha preocupação em sala de aula não são os palavrões, e sim se eles estão acompanhando o conteúdo, se estão desenvolvendo as habilidades necessárias. Julgar alguém simplesmente por falar palavrão também é uma forma de preconceito. Cada um se expressa do jeito que quiser, desde que não esteja ofendendo diretamente o outro com o intuito de magoar. 

E até mesmo quando estava no E.M. (minha turma era daquelas impossíveis) meu professor de Filosofia falava gírias e palavrões. Adivinha o resultado? Uma sala quieta, com todos prestando atenção. Isso não é ficar amiguinho do aluno, isso é inserir o conteúdo na realidade em que vivemos. Se ele se expressasse de outra forma, ninguém daria a mesma atenção. Não estou dizendo que você deva falar palavrão em sala de aula, mas sim, adaptar sua forma de se expressar para que os alunos possam e queiram te ouvir e te entender. 

Mas é isso, chega desse papo chato. Raquel, seja uma pessoa do bem e não faça mais comentários ofendendo o trabalho das pessoas que você não conhece, só porque elas fazem as coisas de um jeito diferente do seu, ok? Por favor. 

7 comentários:

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    1. hahahahahahahahaha! Obrigada por expressar sua opinião! :)

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  2. Hoje em dia as pessoas usam a internet para se manter anônimo e sair falando besteira. Todo mundo se acha muito consciente, polinizado e especialista em absolutamente qualquer assunto.
    Concordo com seu ponto de vista, mas não se deixe afetar por esses comentários vazios. Essas pessoas nem dão espaço para um diálogo saudável, só querem vomitar um monte de ofensas para se sentir superiores.

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    1. Infelizmente essa é uma realidade, e fico triste por isso. Mas pelo menos a pessoa reconheceu que errou, pediu desculpas. Se todos fizessem isso, né? Quando sofremos desse tipo de ofensa temos que compartilhar e expor a situação, pelo menos assim temos apoio e não nos sentimentos sozinhos.
      Obrigada pelo comentário!

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  3. (to digitando com os pés pq to usando as mãos pra aplaudir).
    eu fiquei meio aborrecida/chateada com o que aconteceu, porque não gostei das coisas que ela te disse. quase vim te pedir desculpas, mas percebi que eu não tinha feito nada e que a dona da bagunça que o meu vídeo causou foi somente ela.
    uma coisa que reparei foi que ela disse que leciona há 10 anos e se você for parar pra pensar, não é tanto tempo. e mesmo que fossem 40 anos de sala de aula, isso não daria o crédito de 'professor perfeito' pra ela nem pra ninguém.
    você, mesmo há poucos anos lecionando, tenho certeza que é uma excelente professora, justamente por enxergar coisas que poucas pessoas estão dispostas a enxergar. não to falando de ser 'a favor' ou 'contra' algo, mas saber que debates ofensivos não são bons e que humilhar alguém em rede social não te faz melhor.

    creio que usar esse exemplo pros seus alunos vai ser uma ótima oportunidade de fazer a Raquel virar objeto de estudo. enquanto ela cita dados estatísticos e cospe uma bibliografia rebuscada, você põe em prática as suas ideias.

    obrigada por acompanhar o canal e por ajudar o brasil a ser um pouco melhor!

    www.pe-dri-nha.blogspot.com

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    1. Oi, querida!
      Eu nem iria responder o comentário dela, mas é muita sacanagem ofender as pessoas assim a troco de nada. Fiquei chateada também com o que ela disse pra ti. Pior é quando a pessoa te desrespeita falando aquelas coisas (que ela não acha ofensivo) e quando você responde (no meu caso, que respondi ironicamente) ela se transforma na maior vítima. A questão que as pessoas ainda não entenderam é: não faça para os outros o que não quer pra ti. E pior é que não adianta responder essas pessoas de forma tranquila e educada, porque na real, parece que tudo que o elas querem é discutir e brigar. Infelizmente ela me pegou num dia ruim, se fosse outro dia, iria ignorá-la completamente.
      Obrigada pelo comentário!!!!

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  4. Eu estou lendo o seu texto pela segunda vez e confesso que eu achei graça da Manie dizer em "fazer a Raquel virar objeto de estudo". Me senti um animal exótico a ser estudado. Bem, sendo eu o objeto de estudo eu me sinto no direito de vir aqui e falar um pouco também sobre o ocorrido.
    Eu leio tantos comentários absurdos na internet que, sinceramente, não vejo porque o meu comentário ser considerado tão ofensivo assim para server de exemplo. A Manie fez um video e postou. Então se torna passível de críticas boas ou ruins. Eu fiz um comentário sobre o video dela. Eu tive um momento ruim nas minhas palavras e assim como a Manie ficou brava, disse palavrões e criticou as pessoas que achou que deveriam ser criticadas eu também fiquei brava e me extrapolou. Quem for perfeito e nunca teve um momento ruim em suas colocações que attire a primeira pedra.
    Eu gostaria de dizer que esse momento ruim não faz de mim um pessoa má ou ruim para que a Manie precise me aconselhar a ser uma pessoa do bem. Eu sei quem eu sou, mas vocês não sabem. Logo não podem me julgar como alguém do mal do mesmo modo que eu não posso julgar o seu trabalho que eu não conheço, não é Rita.
    O que me impressionou foi que o meu comentário, não foi somente de palavras duras ou vazias, não somente para xingar, mas também foi para emitir a minha opinião sobre a legalização do aborto. Mas isso foi totalmente ignorado. Rita: "Nem li seu comentário mesmo", disse Rita. Eu reconheci o meu erro e pedi desculpas à você, Manie, e à,você, Rita. Eu não obtive nem uma resposta. Te escrevi um e-mail, Rita e você não respondeu ou talvez nem tenha lido. Mas quando o assunto eram as provocações as respostas irônicas não demoravam 15 minutos a chegar. Com certeza, muitos dos meu comentários foram respostas aos seus comentário sarcásticos e provocativos. Você escreveu: "Ha ha ha Não deu para entendeu a minha ironia? Que pena." Eu fiquei tão triste com toda a situação quanto você, Manie. Então você, Rita, me fez acreditar que queria que eu escrevesse um artigo para você e depois mostrou que mais uma vez estava me esculachando. Então eu cheguei aqui e li o seu texto com partes editadas e manipuladas dos comentários. Eu não quero brigar. Só quero mostrar que não só eu errei, mas erramos nós. Eu tive um momento ruim e você se divertiu, como você mesma disse que "quis brincar".
    Manie, eu dei aula há 10 anos atrás. Eu lecionava para jardim de infância que era minha paixão. Eu amo cheiro de escola, amo ajudar quem precise de mim e amo conversar. Aquele mal momento não faz de mim uma pessoa do mal. Mais uma vez, me desculpe pelas ofensas. Eu só quis expor a minha opinião sobre o aborto que é contrária do sua opinião. Tenho motivos muito consistentes para ser à fazer da vida e não querer essa cultura do aborto no nosso país.
    Rita, mais uma vez me desculpe pelas ofensas. Eu realmente não conheço o seu trabalho, mas vc também não me conhece.
    Por fim, sendo eu o objeto de estudo, eu gostaria que esse texto fosse lido juntamente ao seu para os alunos para mostrar que as pessoas erram, voltam atrás, perdem desculpas e quem tiver humildade o bastante as que aceite e enxergue que todos nós erramos. Um abraço e boa sorte na caminhada de vocês.

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