Um Teto Todo Seu - Virginia Woolf

Será um desafio escrever sobre esse livro, primeiramente porque tenho tantas coisas pra dizer e segundo porque é um livro pelo qual eu me apaixonei perdidamente. Isso tudo colabora para fazer com que esse texto seja desafiador, e vocês já sabem que eu não sou boa em ser neutra quando o livro me conquista pra valer, né? Enquanto lia essa obra, minha mente fervilhava, estava totalmente envolvida, absorta. Cada frase me imergia em sensações. Posso dizer que esse foi um livro intenso e que me fez perceber muita coisa.

Temos em mãos um ensaio fictício. O que diabos isso significa? É um livro de ensaio narrado do ponto de vista de um personagem fictício. Eu, particularmente, nunca havia lido nada assim e isso já me envolveu de cara. A personagem que nos é apresentada é a discreta Mary Beton. E ela começa nos contando que precisa apresentar uma palestra, com isso, ela acaba se perdendo e se encontrando em pensamentos sobre o tema da palestra.

E esse tema é “mulheres e ficção”. Com isso, a autora vai nos guiando perante a complexidade do tema com uma narrativa deliciosa e poética. Entretanto, ela não vai escrever uma linha do tempo da história da mulher e da ficção. Ela vai abordar temas mais profundos: o que impediu as mulheres de escreverem por tanto tempo? O que impediu as mulheres de produzirem arte? Bem, a resposta é simples: os homens. Essa resposta causa em mim extrema tristeza. Por muito tempo a mulher foi extremamente manipulada por uma sociedade onde somente a opinião dos homens eram levadas em conta. E com isso, muitas mulheres sofreram caladas, sem poder expressar-se como gostariam.

Virgínia – ou Mary Beton – vai abordar algumas atitudes dos homens perante as mulheres. Alguém disse algo do tipo: nenhuma mulher seria capaz de escrever como Shakespeare. Obviamente que não, na época de Shakespeare as mulheres não tinham chance nenhuma de ter algum valor intelectual. Enquanto Shakespeare teve uma bela educação, leu e se envolveu com grandes pensadores e poetas, as mulheres não poderiam nem sair de casa. A autora ainda nos traz um exemplo: imaginem se Shakespeare tivesse uma irmã com as mesmas habilidades artísticas que ele. Obviamente que o final da história fictícia da irmã do grande dramaturgo acaba com uma morte infeliz, enquanto ele era aclamado pelo público.

Com isso, a autora pretende fazer com que percebamos que ambos os sexos tem o mesmo valor – afinal somos seres humanos, porém, devido ao histórico de sofrimento e repreensão das mulheres, não foi possível que fizéssemos descobertas importantes, escrevêssemos livros importantes, ou produzíssemos algum tipo de arte por muito tempo. Não se pode falar que a mulher é menos desenvolvida intelectualmente já que não tiveram as mesmas chances que os homens. E a autora ainda vai abordar a questão: porque os homens agiram assim com as mulheres? Bom, ela traz a ideia de que talvez os homens precisassem acreditar que são superiores para assim viverem melhor. Com isso, eles usam as mulheres como um espelho, onde se olham e se engrandecem.

Eu sempre pensei que é inútil se achar superior, afinal, é só olhar ao redor para perceber que nada disso importa pois sempre vão existir mulheres fracas e homens fracos. Mulheres inteligentes e homens inteligentes. Mulheres pobres e homens pobres. Mulheres com mau caráter e homens com mau caráter. Mulheres fortes e homens fortes. Mulheres com habilidades artísticas e homens com habilidades artísticas. Essa lista pode ir longe, no entanto, percebe como é tudo igual? Oras, a própria religião prega que somos iguais. Então porque ainda existe homens que se acham superiores que as mulheres? O certo mesmo era nos tratarmos sem evidenciar as diferenças e defeitos uns dos outros. Mais amor, por favor, né gente?!

Já explorando o tema da mulher e ficção, a autora nos dá a ideia de que para a mulher escrever, criar, ela precisa de um teto todo seu. Ou seja, é necessário um espaço quieto e tranquilo para poder escrever, para desenvolver ideias. E ela aborda o fato de que a mulher por muito tempo também não teve esse privilégio. Ela dá o exemplo da Jane Austen, que escreveu seus romances na sala de sua casa, com pessoas interrompendo o tempo todo. Além disso, a mulher precisa se sustentar bem. Então, dê a uma mulher um teto todo seu e um salário razoável e assim ela estará aberta para criatividade.

É claro que não é só isso, mas eu concordo com essa ideia. Primeiramente penso em mim mesma, se por um acaso eu não tivesse um quarto – um teto todo meu – dificilmente teria um blog, ou um diário. Pois a minha casa é barulhenta e sempre tem muita gente, ou seja, eu não teria paz e tranquilidade o suficiente para organizar meus pensamentos. Isso é fato. Não sei vocês, mas se eu não estiver em um ambiente tranquilo não consigo escrever, tampouco ler.

Enfim, esse é um pequeno livro que vai abordar muitas e muitas questões interessantes. Vai trazer a tona muitos sentimentos, bons e ruins, muitas reflexões que vão mexer com você. É um livro interessante para você se explorar, se conhecer melhor, seja homem ou mulher. Virgínia Woolf me fez ver o mundo de outra forma depois dessa leitura. Simplesmente incrível. 
A arte dessa capa é simplesmente sensacional! Eu adoro. Não canso de olhar! Espero que vocês tenham gostado do texto, se já leu esse livro vamos conversar aqui nos comentários! ;)

Mais informações:
Titulo: Um Teto Todo Seu
Autor: Virgínia Woolf
Editora: Tordesilhas
Páginas: 192
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8 comentários:

  1. Oie Rita! Ainda não li, mas agora estou bem curiosa. Concordo com o "teto todo seu" , agora no período de férias e as crianças em casa, está bem difícil raciocinar rsrs Penso que ainda hoje é bem complicado para escrever... Vivemos em um país que desvaloriza qualquer forma de cultura ( um país onde a educação é frágil, fica bem mais fácil manipular o povo ) mudamos o "espelho" apenas, mas alguém sempre está se engrandecendo as custas de outro.
    O lerei. Parece muito muito interessante. Beijo beijo.

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    1. Concordo com você também, Lilian Linda! Infelizmente nosso país tem muito o que evoluir ainda na questão cultural. Mas antes disso, precisa evoluir na educação, porque é uma coisa medonha a forma como a educação (e os educadores) são vistos nesse país. Dá vergonha.
      Leia esse livrinho sim, é maravilhoso! Você vai gostar, tenho certeza!
      Beijos, queridaaaa!

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  2. Rita, sua linda, que livro!! Já tinha recebido recomendações dele, pra iniciar a leitura de Virginia Wolf, já que minha tentativa de ler Mrs. Dolaway foi um fracasso, mas não tinha ideia do tema do livro. Agora fiquei ainda mais interessada! Minha casa sempre foi muito barulhenta e eu sou mais introspectiva, então ter um espaço onde eu possa ficar tranquila, pensando no meu cantinho, sempre foi importante pra mim.
    Bjs! :))

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    1. Manu, até nisso a gente se identifica! haha Aqui em casa é a mesma coisa,e também sou muito na minha, sou a mais introspectiva da família (na verdade, sou a única). Ter meu espaço é essencial.
      Ah, minha experiência com Mrs. Dalloway também foi meio fail viu?! Achei bem difícil. Mas Um Teto Todo Seu é bem tranquilo, você vai adorar!
      beijos, querida!

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  3. Dediquei uma boa parte da minha vida acadêmica estudando Gênero e feminismo. É uma triste realidade o que aconteceu com as mulheres (e ainda acontece) no tocante a desigualdade de oportunidades em diversos aspectos sociais. O silêncio das mulheres é bem explorado no livro da Michelle Perrot, "Minha História das Mulheres", não sei se você já leu, mas é um livro que adoro e que recomendo a todos/as!
    Eu tenho que ler a Virgínia! sério! Vou começar com Dalloway qualquer dia desses... quem sabe também não lerei Um Teto Todo Seu...
    Abraço forte amiga!
    Alexandre do blog Do Que Eu Leio
    @doqueeuleio

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    1. Alê! Que demais, não sabia que sua pesquisa era sobre esse tema. Gosto muito desse tema também, apesar de ficar triste e revoltada com isso. Eu tenho esse livro da Perrot no Kobo mas ainda não li, quero muito ler, ainda mais depois da sua indicação! :D
      Se você gosta desse tema esse livro vai ser maravilhoso pra você! Super recomendo! :D
      Beijos, querido!

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  4. Ritinha, estou tão louca por esse livro! Eu não li ainda seus comentários sobre ele, pois gosto de fazer isso depois da leitura. Em breve terei o meu e poderei voltar para comentar algo mais específico. rss

    Enquanto isso, quero parabenizá-la pelo cantinho especial e dizer que preciso de um marcador seu. rss Vi o que você enviou para a Tamy e fiquei tipo "OMG, que perfeição é essa? Quem fez isso?Preciso!" rsss Qual sua prederência para contato? Email, direct, whats? Me grita lá no blog ou no instagram. Um super beijo! Luana

    Ah, adorei as fotos!

    http://psicoselliteraria.blogspot.com.br/
    @psicoseliteraria

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    1. Oi, Luana!!!
      Leia esse livro que tenho certeza que você vai amar! ♥
      Obrigadaaaa, de verdade! Já te mandei meu whats, a gente conversa por lá depois pra resolvermos esse negócio aí do marcador. Eu fiz por hobbie mesmo, hahaha!
      Beijão!

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