Impressões de leituras: Os Miseráveis #1

O meu primeiro contato com essa obra magnífica foi através de uma adaptação cinematográfica e logo senti uma forte conexão com a história. Aqueles personagens haviam me conquistado de uma forma que eu desconhecia e realmente me apaixonei ali, naquele momento, vendo aquele filme. Posteriormente, fui assistir ao musical com o coração já em êxtase pela grandiosidade da história e mais uma vez, tudo aquilo me arrebatou de um jeito único. Foi uma experiência linda. Desde então o livro fica aqui na estante olhando pra mim com aquela carinha de por favor me passe na frente dos outros e me leia. Como vocês podem ver no meu post sobre Meta de Leitura 2015, essa obra foi selecionada para ser lida esse ano e juntando com o Projeto Victor Hugo 2015 chegou o momento perfeito. Mas como já disse antes, eu estava adiando a leitura por pura preguiça. Ainda bem que tomei vergonha nessa cara e comecei e ler, porque é SENSACIONAL! 

Ainda não sei ao certo com qual frequência vou postar sobre as minhas impressões, estava desejando postar toda semana mas talvez não seja possível, portanto não sei ainda como vai ser. Mas nosso grupinho de leitura (Alê, Pandora, Aline e Paty) decidimos expressar nossas opiniões acerca do primeiro tomo, ou seja, da primeira parte da história. Esse livro é divido em 5 tomos, 3 estão no primeiro volume e os outros 2 tomos se encontram no segundo volume da obra. Mas vamos logo ao que interessa: o que achei do primeiro tomo? 

Logo no primeiro capítulo já pude perceber a grandiosidade da coisa toda, e além disso, já percebi que o personagem apresentado ali me marcaria pra sempre. Nesse primeiro momento conhecemos o Dom Bienvenu, um bispo, personagem de extremo carisma. Nos é contado então a história do bispo, com todos seus detalhes relevantes para que possamos compreender que se trata de um personagem profundo, complexo e altruísta. E aos poucos somos apresentados aos personagens que tanto queremos conhecer de perto: Jean Valjean e Fantine. 

Estou achando muito difícil encontrar palavras para descrever tais personagens. Conhecendo-os melhor a cada capítulo nos dá a impressão de que estamos vivendo tudo o que eles estão vivendo. E isso torna impossível deixar a leitura de lado. Inclusive, a narrativa que o Victor Hugo constrói nessa obra é digno dos aplausos mais fervorosos. Não tem nada de difícil ou rebuscado, ao meu ver é algo simples, escrito para atingir todos os tipos de pessoas. Contudo, há momentos mais lentos na leitura, isso é natural. Porém nessa primeira parte do livro é só emoções, aventuras e é realmente impossível de largar.

Então vamos falar um pouco mais sobre a história do Jean Valjean. No começo do livro já vamos notando o quanto esse personagem tem potencial e ele usa de seu potencial para se tornar uma pessoa melhor. Ele é preso por roubar um pão e cumpre 19 anos nas Galés, no entanto depois que é liberado encontra muita dificuldade perante a sociedade: ele não é aceito, sofre preconceitos de todos os tipos. Porém, o nosso querido bispo Dom Bienvenu o abriga. Partindo disso, Jean Valjean cria um laço importante com o bispo e percebe que precisa e pode se tornar uma pessoa melhor. 

E é justamente isso que Jean Valjean faz nos próximos capítulos: luta para se tornar uma pessoa melhor. Não só melhora a si próprio mas também ajuda uma cidade inteira a prosperar. Ele se torna o Maire dessa cidade, é como um prefeito, digamos. As pessoas o respeitam, mas ninguém nem imagina o que ele esconde em seu passado. Contudo, somos apresentados também a história da Fantine, que veio trabalhar em uma fábrica do Jean e infelizmente foi mandada embora por uma megera fofoqueira, que por coincidência era a encarregada de administrar a fábrica feminina. Vendo-se perdida e sem emprego, como poderia ajudar a filha, Cosette, que deixou aos cuidados de uma família estranha? Sem dinheiro, não teria como essa família estranha, os Thénardier, ajudar Cosette. Fantine faz de tudo para conseguir dinheiro e ajudar sua filhinha, imaginem vocês... No entanto, ela não imagina que a sua filha sofre maus tratos nas mãos desses gananciosos e cruéis Thérnardier.

E então vamos acompanhando a história até chegar o momento em que Jean Valjean descobre sobre a história de Fantine e resolve ajudá-la. Mas não será tão fácil assim e com isso chegamos em um dos momentos mais incríveis do livro, na minha humilde opinião. Uma crise existencial abate Jean Valjean e ele tem que rever suas atitudes, refletir sobre o passado e sobre as possibilidades do futuro, deixar de pensar em si mesmo e pensar também naqueles que estão a sua volta. Esse é um momento lindo no livro, mas não quero contar as circunstâncias que o levou a isso tudo pois não quero dar spoiler para quem ainda não leu e não está familiarizado com a história.

No geral, a experiência de ler o primeiro tomo é extremamente rica em emoções, muito envolvente e já podemos perceber a grandiosidade da obra que temos em mãos. A narrativa do autor é realmente um diferencial muito grande para nos aproximarmos da obra, ele sabe nos contar a história de uma forma que nos diverte, nos atinge, nos entristece, nos incomoda. E tudo isso com muita força. 

E é isso que eu tenho pra conversar com vocês por enquanto, logo mais saí outro texto sobre a minha aventura. Se você está lendo também, ou se já leu, vamos conversar aqui nos comentários!

Confira o post nos blog que também estão participando do #projetoVictorHugo2015:
Do que eu leio
Uma Pandora e sua Caixa


4 comentários:

  1. Eu também me apaixonei pela história de "Os miseráveis" via filme em um primeiro momento e há anos tenho vontade de ler o livro. O livro está na minha meta de leitura desde 2013, eu acho, mas só agora com o projeto engrenei.

    Me envolvi muito com o vol. 1, uma leitura dinâmica, pela linguagem simples e direta do Victor Hugo, mas emocionalmente aflitiva, para mim que sou emotiva, senti dificuldades em escrever sobre a experiencia #Confesso

    Ah, estou adorando ler em grupo e trocar impressões com vocês. Está sendo muito legal.

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    1. Ah que linda você falando que é emotiva. Eu tenho meus momentos, mas esse livro realmente é pra te revirar por dentro, é uma coisa tão incrível, tão repleto de sentimentos que não cabe em palavras.
      A parte que mais me marcou, que deixou sintomas de crise existencial, foi essa parte que comentei no texto em que o Jean Valjean se vê indeciso sobre o que fazer: se entregar pra polícia e ficar em paz consigo mesmo, ou deixar que o homem vá presso em seu lugar enquanto ele continua trazendo o bem pra sociedade daquela cidade. Isso foi muito profundo pra mim, achei incrível. Não parava de pensar naqueles momentos.
      Também estou adorando fazer esse leitura e saber que tenho pessoas legais pra conversar sobre! :D
      Beijos!

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  2. Sabe a parte que me tocou mais profundamente? A de Fantine vendendo seus dentes... Caracas, deu vontade de esguelhar os miseráveis infelizes e canalhas dos Thénardiers!! Lembrei o quanto Victor Hugo nos prepara desde a primeira aparição da Fantine, isso páginas e páginas antes, ao destacar o quão bonitos eram os dentes da moça... para mim um simbolo do esvaziamento de si, do amor incondicional pela filha.... Meu Deus que história! Sabe o que gostei também? Como não vi o filme, ( e estou achando isso maravilhoso) fiquei o tempo todo lendo e sem desconfiar que o Maire Madelaine era Jean Valjean!! Fui somando aos poucos até perceber isso, e exclamei: Caracas!! Enfim, ler esse livro está sendo uma das melhores experiências literárias da vida, digo e repito. #valeapena
    Beijos Rita querida!

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    1. Nossa, realmente essa cena da Fantine vendendo os dentes doeu na alma. A história é dele é muito triste, e a gente isso nos ossos. Victor Hugo deixa a gente de um jeito né?! Já estou sofrendo por antecipação só de pensar em terminar esse livro. =\
      Como eu tinha visto o filme, não me surpreendi com o detalhe do Maire. Inclusive, na medida do possível, estou achando os 2 filmes que assisti bem fiéis á obra, isso é uma alegria!
      Mas passei por um acontecimento que me surpreendeu! Mas não sei que parte vocÊ está, então melhor ficar calada pra não dar spoiler! hahaha
      Beijos, querido!

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