O Lado Bom da Vida - Matthew Quick


Existe outro texto sobre esse livro por aqui e foi escrito pela Aline Freire, mas como é sempre bom a divergência de opiniões resolvi trazer a minha a respeito dessa obra que li recentemente. Sinceridade é bom e todos gostam então já vou adiantando: não gostei do livro. A principio estava adorando, super envolvida com a história e sentindo que o personagem principal, o Pat, estava me cativando. MAS a vida não é sempre tão bela e logo fui percebendo coisas extremamente irritantes na narrativa que me fizeram passar um pouco de nervoso. Vou explicar melhor.

A história é sobre o Pat, um péssimo marido, que comete algum crime e se vê internado em um hospício. Ele perde a memória,  e com isso perde também a noção do tempo e quando sai de lá acredita que pode recuperar a mulher amada. Evidentemente, Pat passou por uma situação traumática que o deixou dependente de remédios para manter a sanidade, e a história é narrada na visão dele. Então temos uma história sendo narrada por uma pessoa com problemas psicológicos. Nada incomum, nada demais. Só que, na minha opinião ele não tinha apenas esse problema, tinha também a idade mental atrasada. Ele é um personagem muito imaturo para os 30 e poucos anos que tem. Com atitudes bobas e mesquinhas. O trauma dele pode até justificar tudo, mas simplesmente não quero ler um livro com um personagem tão raso. Os sentimentos que ele tinha não foram bem explorados, tampouco bem desenvolvidos. Muito raso, superficial. Ainda mais por se tratar de um personagem com traumas e problemas psicológicos, os sentimentos dele deveriam ser arrebatadores, intensos. Só que não (ao menos eu não senti.)

Além disso, em praticamente todos os capítulos é mencionado jogo de futebol americano (eles cantaram o hino do time umas... 30 vezes durante o livro- to chutando baixo, hein) e o personagem fica obcecado por malhação e eu cansei de saber o quanto ele malhava. Tudo bem frisar isso, até porque através disso entediamos o estado de humor dele mas não é preciso exagerar. O leitor não é idiota. Eu me senti meio idiota lendo isso, como se fosse eu quem tivesse algum  problema psicológico e não ele. Isso me incomodou muito. Não gosto que fiquem repetindo a mesma coisa trocentas vezes. E também teve a parte clássica onde o leitor pensa: tá, já sei o que vai dar. Isso pode ser muito saudável na leitura (apesar de que adoro ser surpreendida) mas eu já estava de saco cheio daquilo. Isso sem contar a Tiffany(amiga do Pat), que foi outra personagem que achei muito rasa mas acima de tudo, chata. 

No texto da Aline Freire ela observa que "o Pat e a Tifanny não são perfeitos, e juntos se tornam melhores." e isso é verdade, nenhum dos dois são perfeitos. Mas na minha opinião, todos os personagens deveriam ser imperfeitos mesmo, pois nós todos somos e a Literatura reflete isso também, mas nesse caso eles são imperfeitos pela maneira como foram desenvolvidos. E afinal, eles se tornam melhores juntos porque ambos agem de maneira estúpida e imatura e sabendo disso ambos se sentem bem. Isso é muito natural e nenhuma novidade, se tenho algum tipo de problema e outra pessoa está passando por algo muito semelhante, obviamente que vou sentir compaixão pela pessoa, nos tornaremos mais próximos. Isso é natural e logo de cara já dá pra ver no que vai dar. Um livro sem surpresas, personagens mal desenvolvidos, sentimentos pouco explorados e com mensagens motivacionais que não me chamaram atenção.

O que realmente salva esse livro são as referências ao cinema e à Literatura. O entendimento que o Pat tinha das obras que lia era um conteúdo genuinamente interessante e rico. De resto, esquece. A mensagem no final pode até ser motivadora e bonita pra muita gente, mas na minha opinião não cola. Quero que a Literatura me revire por dentro, me faça pensar e refletir sobre a vida, mesmo que seja pra ter uma crise existencial. E com esse livro eu tive nada disso, passou longe.O livro mais me incomodou com as mesmices do que me incentivou a refletir. Infelizmente. 

Mais informações:
Titulo: O Lado bom da vida
Autor: Matthew Quick
Editora:Intrínseca
Páginas: 254

2 comentários:

  1. Comprei este livro a pouco tempo mas não li ainda, espero que eu não me arrependa, beijos...

    ~ oquenaocabenaestante.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Espero que não se arrependa também e goste da história. Estou trocando minha edição no skoob, porque realmente não gostei. =\

      Abraços.

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