A Tree Grows In Brooklyn - Betty Smith


Praticamente todos os textos que escrevo aqui não são nada imparciais. Deixo-me envolver mesmo, é assim que gosto de escrever. Por conta disso, já podem imaginar que esse texto não será nada diferente. Acompanho alguns canais gringos no Youtube, e já tem um bom tempo que escuto as pessoas falando extremamente bem desse livro. Sempre ficava com vontade de ler, mas infelizmente, me parece que esse livro não existe em português. Então, eu sempre adiava a compra/leitura por conta do inglês/preguiça. Esse livro está no topo da minha "whish list" no Book Depository desde quando criei a conta, por algum motivo, nunca comprei.Até que um dia resolvi baixar o epub, como quem não quer nada, dizendo: "qualquer dia desses eu leio!". E eis que esse dia chegou. Aliás, vários dias. Nunca demorei tanto para ler um livro, mas o motivo é a melhor parte: não queria que esse livro acabasse. Nunca. Nunquinha.

Pode parecer exagero, eu sei. Mas esse livro me conquistou por inteiro, o que posso fazer? É sobre a história de Frances Nolan, uma garotinha nascida a criada no Brooklyn. A história abrange desde a época que seus avós, imigrantes alemães tentaram ganhar a vida nos EUA, sem muito sucesso,até quando seus pais se conheceram, no primeira década do século XX, e acaba quando Frances se torna uma mulher. Parece simples? E é. E dessa simplicidade adquire uma beleza única.

Francie tem um irmão chamado Neeley, um ano mais novo que ela. Desde que Neeley nasceu, sua mãe Katie, nunca mais deu a Francie a devida atenção. Neeley era um menino lindo, muito parecido com seu pai, Johnny. A própria Katie percebeu então, que amava muito mais o menino, e a Frances ficou em segundo plano. O pai da família, Johnny, homem adorável, que infelizmente tinha certa predileção por bebidas alcoólicas, com o passar do tempo, se tornou um alcoólatra de verdade. Ele trabalhava como cantor em um bar, conseguindo pouco dinheiro. A família era muito pobre. Muitas vezes, não tinham nem o que comer, Katie e Johnny faziam de tudo para alimentar as crianças, mas a situação nunca era boa.

Antes da Frances nascer, Katie pediu conselhos a sua mãe, insegura com a nova fase de sua vida. Sua mãe simplesmente disse que ela deveria fazer de tudo para que as crianças estudassem, tomassem gosto pela leitura. Disse que ela deveria ler algo para eles todos os dias, qualquer coisa. Então, Katie decidiu que seguiria o conselho de sua mãe para sempre. Lia uma página de Sheakespeare e uma página da bíblia para as crianças toda noite, mesmo que ninguém entendesse nada, o importante era a ler.

A história foca muito em educação, mostrando a força de vontade dos personagens que não tinham nem o que comer, mas que se esforçavam para estudar. Mostra também que o hábito da leitura faz toda a diferença na vida de alguém, não importa pelo que está passando. É simplesmente lindo!
"From that time on, the world was hers for the reading. She would never be lonely again, never miss the lack of intimate friends. Books became her friends and there was one for every mood. There was poetry for quiet companionship. There was adventure when she tired of quiet hours. There would be love stories when she came into adolescence and when she wanted to feel a closeness to someone she could read a biography. On that day when she first knew she could read, she made a vow to read one book a day as long as she lived."
Vamos acompanhando de perto todas as fases na vida dessa família, os momentos especiais, em que todos riam e cantavam. Os momentos ruins, em que só havia tristeza. Acompanhamos o que ganharam e o que perderam ao longo do caminho. Tudo isso dentro de uma narrativa simples, poética, com aquele toque de sabedoria de quem já viveu muito.
" 'Dear God' she prayed, 'let me be something every minute of every hour of my life. Let me be gay. Let me be sad. Let me be cold. Let me be warm. Let me be hungry (...) Let me be thuthful. Let me be a liar. Let me be honorable and let me be sin. Only let me be something every blessed minute.And when I sleep, let me dream all the time so that not one little piece of living is ever lost.' "
Frances cresce aprendendo e nos ensina muitas coisas. Sua personalidade é tão brilhante, tão cativante, somente é impossível pensar na ideia de não gostar dessa garotinha. Entretanto, todos os personagens tem um papel muito importante na história toda. Desde a tia solteirona, a vó materna, o vizinho, até mesmo uma árvore. Todos aparecem para nos contar alguma história, nos ensinar algo importante sobre a vida.

Existem diálogos infantis, diálogos simples, poesia, pedacinhos de canções que eram especiais para Frances, pequenos momentos que vão nos conquistando, nos aquecendo.
"Francie was ten years old when she first found an outlet in writting. What she wrote was of little consequence. What was important was that the attempt to write stories kept her straight on the dividing line between thruth and ficcion. If she had not found this outlet in writting, she might have grown up to be a tremendous liar."
Frances descobriu seu refúgio não só na leitura, mas também na escrita. Cresceu escrevendo histórias sobre a vida, como ela a enxergava. Tinha um pequeno diário, onde escrevia todos os dias. Assim como eu, que tenho um diário até hoje. Além disso, eles adoravam café!"Isn't hot coffe a wonderful thing? How did people get along before it was invented?" Como é bom se identificar com os personagens!

A história se passa no inicio do século XX,  e com o tempo, com o crescimento das crianças, a vida até melhora, mas... a Primeira Guerra Mundial eclode. Nos é contado também como as pessoas, e principalmente, como a família Nolan sobreviveu a esse terrível acontecimento. A história toda é uma transição. Por isso li devagar, por isso não queria que acabasse nunca. É muito "vida real", é quase uma biografia de uma pobre família americana do século XX. Isso te faz sentir muito próximo dos personagens, de tudo.

Com o final do livro, veio a minha tristeza. Bem, os leitores me entenderão. Sabe quando lemos um livro, e quando acaba, sentimos muita saudade? Pois é, essa é a minha relação com esse livro agora. Mesmo depois de ler minhas passagens favoritas 3 vezes seguidas, e acho que continuarei com essa saudade ainda por muito tempo. Enfim, esse livro me lembrou um pouco "To Kill A Mockingbird" (que veio quase 20 anos depois), são diferentes mas ambos abordam temáticas como amadurecimento, questões éticas e questões familiares de uma maneira muito significativa. 

Bem, o livro foi escrito em 1943, e sua autora, assim como Frances, nasceu e cresceu pobre no Brooklyn. Assim como Frances, sua família veio da Alemanha para tentar um futuro melhor. Assim como Frances, ela foi para Michigan, entrou na faculdade sem ter completado o "high school". Assim como Frances, ela estudou "drama". E - pela última vez - assim como Frances, Betty, provavelmente, também amava ler. 


Existe um filme baseado nesse livro, que ganhou o título de "Laços Humanos" aqui no Brasil, e foi lançado em 1945, o que nos mostra que o livro deve ter feito sucesso já que foi lançado em 1943 e logo em seguida ganhou uma adaptação para as telonas! Entretanto, não é um filme maravilhoso (como eu imaginava), levando em consideração o conteúdo absurdo do livro sobre a família e os eventos cotidianos, o filme até que se dá bem, está carregado de emoções mas infelizmente, mostra apenas uma base superficial de tudo o que a família Nolan viveu. Ainda assim, vale a pena assistir!

Mais informações:
Titulo: A Tree Grows In Brooklyn
Autor: Betty Smith
Editora: Harper USA
Páginas: 493
Ano: 2006
Compre aqui

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.