As Virgens Suicidas - Jeffrey Eugenides


Cheguei a conclusão de que não é fácil escrever sobre esse livro. Por muitos motivos, mas principalmente por se tratar, de forma tão abrupta e ao mesmo tempo sutil, de suicídio. Esse é um assunto que há muito tempo é discutido e mal encarado por muitos. Entendo perfeitamente o porquê. Veja bem, não quero ser contra nem a favor, mas os questionamentos são inevitáveis em situações como essa: o que leva uma pessoa a acabar com a própria vida?


Uns dizem que é um ato de coragem, outros dizem que é desespero. Acredito que sejam muitas coisas, mas nunca saberemos de fato o que se passa na mente humana ao acabar com a própria existência. Ou o que pode levar-nos a desejar tal coisa. A história tem uma espécie de neblina amarelada, que reflete nos cabelos loiros e na pele clara das irmãs em dias ensolarados, que chega a ser tão poético quanto os pequenos momentos de felicidade que as meninas tiveram em suas curtas existências.

A história, em geral, é muito famosa, um "cult" por assim dizer. A Sra. Lisbon deu luz a 5 lindas meninas. O Sr. Lisbon sentia falta da companhia masculina, sendo o único homem da casa, rodeado pela universo feminino, solitário e inofensivo. As meninas, Cecilia (13), Lux (14), Bonnie (15), Mary (16) e Therese (17) , já desde o começo do livro exalam um perfume peculiar, cada uma com sua personalidade, vão deixando marcas profundas nos outros personagens e nos leitores. Por algum motivo, elas tinham como se fosse uma aura, uma atração surreal que deixavam todos atônitos. Elas foram criadas em um ambiente extremamente rigoroso, onde não podiam se adaptar ao mundo da adolescência e tinham que seguir regras religiosas da Sra. Lisbon.

A principio, Cecilia se mata. E depois de quase um ano da morte de Cecilia, as outras irmãs decidem se matar, todas no mesmo dia. E assim, nesse pouco tempo, vemos a família Lisbon se aconchegar no caos, e se entregar a morte e ao sofrimento. Destruição completa.

Nada fácil, né?! Pois é, mas tudo isso é narrado por um grupo de meninos que acompanham cada passo das meninas, observando tudo da casa da frente. Eles ficaram obcecados por elas, e pelo que estava acontecendo. De alguma forma, eles entendiam que algo estava muito errado e sentiam necessidade de ajudá-las.

"Após cinco minutos de transfusão, declarou que ela estava fora de perigo. Segurando o queixo da menina com delicadeza, o médico perguntou: 'O que você está fazendo aqui, meu bem? Você nem tem idade para saber o quanto a vida pode se tornar ruim.'
E foi então que Cecilia forneceu oralmente aquilo que seria sua única forma de bilhete de suicídio(...): 'É óbvio, doutor', ela disse, ' você nunca foi uma menina de treze anos'."

Com os acontecimentos, vamos observando as diversas maneiras que as pessoas contam a história. Cada um acredita em uma coisa. Poucos valorizam a existência das meninas, muitos criticam o ato de suicídio em grupo, mas ninguém consegue entender realmente. Então, as pessoas apenas fingem que entendem, falam, criticam, apenas para fazerem de conta que sabem do que estão falando, que tem uma opinião própria, mas na verdade estão mais perdidos do que as suicidas. 

Esse livro é basicamente sobre o sonho americano, sobre o fracasso, sobre a hipocrisia da sociedade. Sobre pessoas que souberam se libertar, e sobre pessoas que continuarão presas em suas próprias existências sem sentido. É interessante como a morte é encarada, apesar da quantidade assombrosa de mortes na mesma família, não existe aquele pesar, aquela tristeza enorme que achamos que vamos encontrar entre uma página ou outra. As mortes são encaradas com naturalidade, era algo que ia acontecer eventualmente.

" Mas tudo isso é vento que passa. A essência dos suicídios não consistia em tristeza ou mistério, mas apenas em egoísmo. (...) Depois delas, o que permaneceu não foi a vida, que sempre sobrepuja a morte natural, mas uma lista absolutamente trivial de fatos mundanos."

É uma história intrigante, que irá te proporcionar momentos de reflexão. A narrativa é ótima de ler, flui, e é muito envolvente. Eu tinha uma ideia totalmente errada desse livro. Deixei de lê-lo muitas vezes por achar que iria encontrar muita depressão, e nunca ia apostar na narrativa. A verdade é que não queremos lidar com o desconhecido, com aquilo que não conseguimos entender. A ideia de uma família inteira despedaçada pelo suicídio me causava uns sentimentos estranhos, e sempre largava o livro pensando que ele iria me deixar mal. Claro, não dá pra ficar super bem depois de ler isso, mas é algo tão envolvente e especial, que parece que está acontecendo aqui em frente a minha casa. Tinha a sensação de que, se olhasse pela janela encontraria as irmãs Lisbon correndo no quintal, deitadas na grama, conversando.


Enfim, pra quem ainda não viu o filme, também vale muito a pena. O filme é muito fiel ao livro, o que é maravilhoso! Só achei que a figura da Sra. Lisbon no filme foi mais agradável do que no livro. O restante é basicamente igual, os diálogos quase não tem diferença. Muito bom mesmo!
Sofia Coppola maravilhosa sempre, né?!

Mais informações:
Titulo: As Virgens Suicidas
Autor: Jeffrey Eugenides
Páginas: 232
Ano: 2013
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5 comentários:

  1. Primeiramente: Puxa, Rita!! Muito obrigada pelos comentários no meu blog! Significaram muito pra mim e com certeza me deram mais vontade de escrever! :) E sobre Reiniciados, quando você o ler, não deixe de comentar comigo, hahaha!

    As Virgens Suicidas com certeza é um livro que pelo título eu jamais compraria! Procuro evitar esses assuntos de morte porque me impressiono muito fácil, haha! Se bem que você falou dele e das meninas com uma leveza... Eu tenho algumas opiniões sobre suicídio. Acho que a pessoa que comete não se liberta, acaba se aprisionando mais ainda, se sentenciando, não sei explicar.... Mas até que eu fiquei encucada com esse. Quer dizer, a parte que você falou que é narrado por um grupo de meninos despertou minha curiosidade.

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  2. Ah, que linda! Continue escrevendo sim! :D

    Eu já baixei Reiniciados, vou ler em breve! Daí te conto.

    Bem,você já viu o filme "As virgens suicidas" ? Se ainda não, te indico muito, por que o filme é basicamente, igualzinho o livro. É claro, ficou faltando coisa e tudo mais, mas essa é a adaptação mais fiel que eu já vi.
    Mas o interessante é que, na minha visão, o Jeffrey suicidou as garotas para fazer uma grande crítica a sociedade dos EUA daquele momento. E elas acabaram ficando com uma imagem de que eram as únicas conscientes de tudo ao redor, no final.
    Mas é muito legal para ler! Mesmo nós que já carregamos uma terrível impressão sobre o assunto, acabamos vendo tudo com outros olhos.
    É interessante. Super indico!

    Um beijão!

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  3. Entendi. O livro se passa em que época? Vou procurar o filme pra ver, sim.

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    1. O livro se passa na década de 70, assim como o filme.
      E aí, conseguiu assistir?

      Beijão!

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