Fim - Fernanda Torres


Não sei se tenho muito a dizer sobre esse livro. Ao mesmo tempo que ele se mostra profundo, te convidando para refletir sobre a vida e sobre a morte diante de várias circunstâncias, ele também é carnal, puro, simples. A quantidade de palavras, frases, parágrafos voltados à sexualidade é, talvez, abusiva. O que só torna o livro mais envolvente, mais comum, como a vida. Sem rodeios, sem blá blá blá. A verdade, nua e crua.

Cinco homens, cariocas, são amigos. Daquelas amizades que duram anos e anos, mas que uma hora, vai mudar. Pra pior.Todos se casam. Todos envelhecem. Todos vivem. Todos morrem. Ninguém escapa. Ninguém.

Essa verdade tão pesada e inevitável, é arrebatadora para nós, leitores e para os próprios personagens. Claro que todos já refletimos sobre a vida, e suponho, sobre a morte. Como é morrer, afinal? Eu que não quero saber tão cedo. Os personagens estão sempre se questionando. Você senta, abre o livro e começa a conversa. Uma conversa simples, dessas de boteco, que aos poucos vai te amarrando, vai te expondo à verdades não ditas com frequência. Você tem acesso aos pensamentos mais íntimos dos personagens, aos flashbacks, que, dizem, passam na sua mente antes de morrer. Tudo isso.

Você conversa descompromissadamente com todos os personagens que à certa altura se tornam pessoas reais. O Àlvaro, o Círo, o Neto, o Ribeiro e o Sílvio. Cada um diferente do outro, cada um com sua personalidade e caráter. Cada um com sua vida e com sua morte para se preocupar. Cada capítulo tem seu dono, contando sua história, e achei que muita coisa acabou se repetindo, naturalmente. Isso tornou a leitura um pouco cansativa em alguns momentos.

Praticamente todos os tipos de percepções, decepções, questionamentos e pequenas realizações que temos durante a vida estão aqui, nessas poucas páginas. Expressados de uma maneira tão simples e tão abrupta.

Concluo que é um livro bonito, afinal. Que apesar dos pesares, me levou a pensar sobre muita coisa da vida. Rever alguns conceitos pra lá de esquecidos. E apesar da morte ser um tema constante nesse livro, não acho que foi uma leitura pesada, porque a vida, em suas tantas maneiras de ser vivida, também é um tema constante. Uma coisa equilibra a outra.

"Eu nunca encarei a morte como uma possibilidade. Não que fosse apegado a nada de especial na vida, mas é que a morte não existe. A morte é uma doença crônica."

"O tempo voa. A gente se acostuma a ver uma pessoa todo dia, e de repente... Por isso é que eu vivo cada segundo como se fosse o último, não se conhece o dia de amanhã, a vida é um fósforo que a gente risca e não sabe a hora que apaga."

"Que alívio, meu Deus, que leveza, que brilho, que sol lindo nascendo na Guanabara. É o que eu sempre procurei, esse não se importar com o que me cerca, não sofrer, não sentir. Como é bom, meu Deus."


Enfim, para concluir, a edição do livro está simples porém caprichada, como é de se esperar da Cia das Letras.

Mais informações:
Titulo: Fim
Autor: Fernanda Torres
Páginas: 203

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