O Inferno de Dante Alighieri



A princípio me parece tão difícil escrever sobre a obra de Dante, mas ao mesmo tempo, me parece que tenho tanto a dizer.  A Divina Comédia - Inferno, é  a  primeira parte de um poema que foi escrito no século XIII (não há data exata, mas já era conhecido em 1316). Pensa o que é ler algo escrito há quase 700 anos atrás! Na minha opinião,primeiramente, é emocionante. Gosto de imaginar, voltar no tempo, pensar no Dante, na história da vida dele e o que o levou a escrever tal poema. Acredita-se que ele escreveu o poema depois de ter sido exilado da sua amada cidade, Florença. Mas durante a minha leitura, me questionei muito sobre isso, criei teorias, pesquisei, e claro, não há resposta exata. O que você acha que levaria alguém a escrever sobre uma "viagem" ao Inferno, Purgatório e Paraíso? Acho curioso.

Curioso é também o fato de que o próprio Dante é o personagem principal, o cara que vai ao Inferno, o narrador da história. E muitos dos personagens que ele encontra caminhando pelos ciclos do Inferno, são pessoas que ele realmente conheceu ao longo de sua vida. Já imaginou você, caminhando em uma floresta muito sombria e assustadora que, segundo Dante "tal amargor, só há maior na morte." É assim que se inicia o poema.
 
Quando Dante começa a sua aventura no Inferno, Beatriz, que na vida real Dante foi apaixonado (reza a lenda que a paixão de Dante por Beatriz era muito forte,  que ele jamais, em toda vida pode esquecê-la), resolveu colocá-la no poema como sua guia. Entretanto, nos parece que Beatriz não é somente uma guia, Dante dá a ela o papel de um Deus, praticamente. Beatriz manda a alma de Virgílio, poeta italiano que inspirou Dante na vida real, para ser seu guia e ajudá-lo a atravessar o Inferno sem que mal algum lhe aconteça.

"Assim minh'alma, que ia fugitiva,
voltou-se para trás, olhando o espaço
de onde jamais voltou pessoa viva."

Há nove ciclos no Inferno, dos quais Dante percorre encontrando pecadores de todos os tipos. Conforme vão passando os ciclos, os pecados vão se agravando. O último ciclo, é o pior, onde se encontram os traidores, "eis Dite (Lúcifer), e é este o ponto em que de forças deves te amparar." (Canto XXXIV)

A jornada pelo Inferno causa angústia. Pessoas sendo cruelmente torturadas, morte, gritos e sofrimento estão presentes em quase todos os versos. Não é a toa que tanta obra de arte assustadora foi inspirada em tal poema. Ao mesmo tempo que achava o clima pesado, lia os versos intensamente, mesmo antes de dormir. E imaginem só, tinha sonhos lindos. De qualquer forma, fiquei bastante envolvida com a história e seu contexto que acabei assistindo alguns documentários e li bastante sobre o assunto.

Além disso, também comecei a ler "Inferno" do Dan Brown. O que ajudou muito, pois é uma ótima fonte de referência já que se trata de um drama cujo personagem principal deve desvendar mistérios na obra de Dante para obter respostas concretas. Imaginem só, um obcecado pelo poema acredita que o fim da humanidade está próximo, que o Inferno que Dante descreve irá se tornar pura realidade perante nossos olhos. Na verdade, ainda estou lendo e, confesso, estou gostando muito. Claro, claro, logo nas primeiras páginas já sabemos que o Professor Robert Langdon (sim, ele mesmo! Você conhece ele do filme/livro "O Código Da Vinci" e do filme/livro "Anjos e Demônios", entre outros) vai se safar de todas as confusões e infortúnios. O cara sempre se dá bem, mesmo depois de ter levado um tiro na cabeça (sabe, passou de raspão, foi por pouco...) Mas enfim, apesar do clichê, a história é repleta de referências artísticas e literárias. Uma delícia! Adoro isso. Adoro marcar livros que aparecem na história, lugares, obras de arte... E o enredo é bastante envolvente, mesmo sendo um "clichezão". ( Engano meu, gente!Leiam esse livro até o final! Vai te surpreender.)

Voltando ao Dante Alighieri, que nasceu em Florença, sabe-se que foi batizado em 1266, portanto, acredita-se que nasceu em 1265. Nasceu de família nobre porém, segundo Boccaccio (autor que escreveu a primeira biografia de Dante) levava uma vida modesta. Tornou-se um homem extremamente inteligente e ativo na política (tanto é que foi exilado por questões políticas). Apaixonado por Beatriz, que o rejeitou e morreu jovem, Dante casou-se com outra mulher e teve 3 filhos. Todos deixados pra trás por conta do exílio. Acredita-se que o poeta faleceu em 1321, de malária, e pouco antes de falecer, terminou de escrever os versos da última parte da Divina Comédia, o Paraíso.

A minha edição da Divina Comédia - Inferno, é aquela lançada pela Abril Coleções, muito bem editada e traduzida pelo Jorge Wanderley, que fez um trabalho primoroso com essa tradução. Foi a primeira vez na vida que parei pra pensar em como deve ser extremamente difícil se traduzir um texto. Em especial esse texto. Imagino o domínio impressionante que a pessoa deve ter da língua italiana e portuguesa para traduzir tal obra. Já li muitos livros, mas esse tem um grau de dificuldade especial. Ele não é fácil de se ler. Tem muita coisa ali que é praticamente impossível de entender na primeira leitura, mesmo com as notas, pois existe muita referência bíblica,mitológica, histórica, entre outras, que acabam dificultando a compreensão. Mas não é um bicho de sete cabeças, a leitura é intensa mas  em algum momento, acaba se tornando muito agradável. Após cada canto, vem 3 ou 4 páginas de notas, explicando as passagens. Essa é a parte mais difícil, ao menos pra mim, após de ler as notas, sempre vou pesquisar alguma coisa e acabo me perdendo ao retornar a leitura. É necessário voltar a ler alguns versos e notas, porém, depois de um tempo você acostuma  e tudo se torna  um pouco mais fácil e agradável, a leitura fluí.


Pra finalizar, gostei bastante dessa leitura, me envolvi e evolui muito. Vale citar Jorge Luís Borges, "a Divina Comédia é uma cidade que nunca teremos explorado de todo; o mais gasto e repetido dos tercetos pode, uma tarde, revelar-me quem sou ou o que é o universo."


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