O universo de 1Q84



O blog foi criado com o intuito de registrar percepções, entendimentos, conclusões, enfim, qualquer coisa que se apresente a mim enquanto leio um livro. Gosto dessa ideia, e como já mencionei em algum outro texto, costumo escrever um pouco sobre isso no meu caderno pessoal. Entretanto, existem livros que deixam em mim mais do que percepções, deixam uma marca. Gostaria de poder escrever no blog sobre todos os livros que leio. Mas não se tem tempo o suficiente pra isso. Por outro lado, também gosto de ler e não escrever, só pensar sobre o livro, isso vai depender do livro e do quanto eu gostei dele.

De qualquer forma, no ano passado eu li, inocentemente, o 1Q84, do japonês Haruki Murakami. Aquela história intensa, misteriosa, e incomum me chamou muita atenção. Duas histórias distintas sobre uma mulher e um homem, que aparentemente não tem nenhuma ligação: a mulher, Aomame, assassina profissional que vive sozinha. O homem, Tengo, professor de uma escola secundária comum que vive sozinho. As atitudes dos personagens, as decisões que ambos precisam tomar mudam o rumo da história. Há uma conexão, muito bem articulada.

Ao terminar o primeiro volume, queria muito ler o segundo livro da saga. Esse mês eu comprei 1Q84 livro dois,e faz exatamente 10 minutos que terminei de ler. Comecei antes de ontem, e terminei agorinha.Simplesmente não consegui pensar direito sobre isso tudo. É o tipo de história que é tão envolvente que te joga em um labirinto e quanto mais você percorre esse labirinto, mais perdido se sente. Ao mesmo tempo que você quer se achar também quer continuar perdido, a perambular sozinho por esse labirinto.O livro me deixou submersa nessa sensação. Perdida. Jogada. Entretanto, como é de se esperar me deixou também com aquela vontade de saciar a curiosidade pela história, que se segue no terceiro volume.É o tipo de história que quanto mais você busca as respostas mais questões e mistérios ela te proporciona.

Sinceramente, havia um tempo que não lia algo tão criativo. Algo contemporâneo e criativo, que te deixa a margem de você mesmo.Te deixa com aquela particular capacidade de esquecer o mundo ao seu redor. A forma como essa história foi escrita e desenvolvida é digna de aplauso. Como único ponto negativo,Murakami, na minha opinião, repetiu muitas coisas. Não sei qual foi a intenção dele. Talvez achou que o leitor não ia prestar muita atenção em alguns diálogos, ou que o leitor não ia entender algo e resolveu repetir os fatos, pra ficar tudo muito claro. Talvez isso tenha um grande motivo. Mas aparentemente, não havia necessidade de ficar repetindo o que já foi escrito, o que já lemos. Isso me irritou levemente. Ainda assim, aos meus olhos continua sendo uma obra genial. 

O que se chama atenção a respeito desse livro é a realidade intransponível em que se encontram os personagens. São tão bem construidos que se tornam reais dentro de você. Gosto disso.Também gosto desse tema que mistura a realidade com a ficção, você se depara com personagens perdidos em um mundo que eles não reconhecem mais, e eles se perguntam se aquilo é real ou não.

Achei interessante a "ligação" desse livro com a distopia "1984" do George Orwell, que se trata de uma sociedade que é sempre observada, controlada e manipulada. No caso de 1Q84, quem nos observa são o Povo Pequenino, que até então pouco sabemos sobre, mas eles tem um poder controlador que está além da compreensão dos personagens e dos leitores. Sabe-se lá o que pode sair daí.

Esse foi meu primeiro contato com o autor, Haruki Murakami, e eu gostei dele. Gostei da imaginação e da criatividade dele. Seguirei lendo 1Q84, para desvendar os mistérios que ele deixou no ar com os dois livros já publicados aqui no Brasil. Tanto o primeiro volume quanto o segundo me deixaram com essa sensação de estar perdida, de buscar respostas, de pensar sobre tudo que li mas mesmo assim, não encontrar nenhuma resposta satisfatória. Entretanto, gostei muito mais do segundo livro. Deu pra conhecer mais os personagens, e enxergar tudo com um pouco mais de clareza.

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