Mrs. Dalloway

" com virginia woolf aprendi o tempo.
a eternidade de um dia quando se trata da condição humana.
nossa magnitude e nossa pequenez.

um dia qualquer numa sociedade em tranformação, uma festa a ser preparada, seres humanos
que se tangenciam, que mergulham em si mesmos e seguem, inexoravelmente, para suas solidões.

mrs. dalloway é literatura deslumbrante.

é transmissão do olhar, ensina a ouvir e a reconhecer no outro.

na minha opinião, é prova contundente de que o autor se desnuda, sim, em sua obra.

virginia woolf, aquela que conhecemos por sua rica e trágica história de vida, está toda ali,
pulverizada em suas criaturas com suas indagações e suas angústias.

"não desejava morrer. a vida era boa. o sol aquecia. se não fossem os seres humanos..."

mrs. dalloway revolucionou a literatura do século XX.

e me revolucionou.

li este livro pela primeira vez em 1980 e nunca mais fui a mesma.

somos todos, do tumbuktu a ipanema, pessoinhas tentando acertar, buscando o sentimento impossível, ajeitando-nos daqui e dali, e fechando os olhos, sozinhos, apagando a memória, os sonhos, quando a festa acaba.

só podia ter sido o mario quintana, poeta maior, a fazer a tradução.

vinte e tantos anos depois mrs. dalloway continua o mesmo.

nós também."

Apresentação escrita por Marília Gabriela, assim mesmo, sem letras maiúsculas nem pouco caso.
Acho que finalmente posso dizer que foi uma das primeiras apresentações de livros que me surpreendeu, que me deu vontade de devorar o livro no mesmo instante. Outra apresentação considerável é do Neil Gaiman em "Coisas Frágeis",  gostei bastante. Gosto disso, desses começos bem feitos.

Comprei Mrs. Dalloway em 2011, se não me engano. Desde então ele ficou de enfeite na minha estante, esperando o momento certo para ser lido. Eu já havia começado a ler um tempo atrás, mas acabei desistindo por conta de se tratar de um livro pra se ler de uma vez só. Ao menos, eu o imagino assim.
Entretanto, já fiz uma pausa.
Li apenas as primeiras 40 páginas e estou me sentindo, de certa forma, maravilhada e perdida em um mundo repleto de sentimentos e personagens que vão surgindo e surgindo, como as pessoas na nossa vida. Esses personagens sentem demais, são poços de sentimentos. O livro carrega consigo uma interessante carga poética que me faz deliciar as cenas.
Não há capítulos nesse livro. É como na nossa vida, as coisas simplesmente vão acontecendo. Não dividimos os fatos. Isso me traz uma sensação reconfortante de realidade.

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